domingo, 26 de abril de 2020

Artigos definidos ou pronomes oblíquos?


O conjunto das palavras "a", "as", "o", "os" serve tanto para ocupar o papel de artigo definido dentro dos enunciados, quanto para a função de pronome pessoal do caso oblíquo. 

É importante diferenciá-los de acordo com cada contexto, porque, em certos casos, essas palavras servirão para acompanhar e determinar gênero e número dos substantivos, enquadrando-se, portanto, como artigo, e, noutros, para substituir as referências do texto, servindo, pois, como elemento de coesão referencial, ou seja, coesão textual, o que nos indicaria que estaria na função de pronome pessoal do caso oblíquo.


Tópico 1


Como artigos, as palavras "a", "as", "o", "os" acompanham os substantivos determinando-os quanto ao gênero (feminino ou masculino) e quanto ao número (singular ou plural), respectivamente.

Repare abaixo nos exemplos hipotéticos: 


I- "A casa nem foi varrida hoje." (a palavra "a" indicando que "casa" é nome do feminino e que se encontra no número singular);

II- "As casas estão à venda faz quase dois anos." (a palavra "as" indicando que "casas" é nome feminino e que se encontra no número plural);


III- "O carro desceu pela avenida e parece que a 100 por hora." (a palavra "o" indicando que "carro" é nome do masculino e que se encontra no número singular);


IV- "Os carros são todos de uma mesma montadora e estão vendidos a preços populares." (a palavra "os" indicando que "carros" é nome do masculino e que se encontra no número plural.





Tópico 2



Note que, como expliquei no primeiro parágrafo, os artigos oferecem-nos a ideia de gênero e número. Negritei propositalmente as terminações "s" nos substantivos "casas" e "carros" para que você veja a relação direta dos artigos no plural com os substantivos que devem estar também no plural. 

É claro que, na língua falada, muitas vezes temos o hábito de não marcar os substantivos com o "s" que lhe é devido. Por isso é que escutamos ou pronunciamos coisas do tipo: "As casa...", "Os carro...", "Os menino...", e assim por diante. 

Quanto a isso, é importante ressaltar que, embora seja algo aceito na língua falada, entendido como variante de linguagem, coloquialismo, ou oralidade, o mesmo não acontece em caso da língua escrita. No caso da escrita, precisamos seguir à risca o que determinam o dicionário e a gramática do nosso idioma.

A outra função das palavras "a", "as", "o", "os" dentro dos textos é a de pronome pessoal do caso oblíquo, quando elas assumem o papel de elemento de coesão referencial, servindo para substituir determinadas referências já citadas. 

Veja o exemplo a partir da leitura deste trecho tirado de um poema de Vinícius de Moraes:

Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus.

(Vinícius de Moraes, "Poema dos olhos da amada", in http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/poema-dos-olhos-da-amada)

Na estrofe do poema de Vinícius de Moraes, a palavra "os" aparece em três situações: 

1) "Que olhos os teus"; 

2) "Fizera-os Deus";

3) "Pois não os fizera". 

No primeiro caso, a palavra "os" está na função de artigo. Já em 2 e 3, a palavra "os" é pronome pessoal do caso oblíquo.



A diferença é que, em "fizera-os", o pronome oblíquo "os" está à direita do verbo, separado dele pelo hífen. Por conta de sua posição à direita do verbo, ele é classificado como pronome enclítico, pois será ênclise sempre que o pronome se apresentar nessa posição posposta em relação ao verbo, ou seja, depois do dele.

No caso de "os fizera", pelo fato do pronome "os" estar à esquerda do verbo, numa situação anteposta ao verbo, temos pronome proclítico, porque será próclise sempre que o pronome aparecer na posição anterior em relação ao verbo. (Assista ao vídeo abaixo e compreenda um pouco mais sobre o que é Colocação Pronominal).

Nos dois casos, a palavra "os" está retomando a referência "olhos", citada no segundo verso do trecho do poema (Que olhos os teus)

Desse modo, além de "os" ser pronome pessoal do caso oblíquo, é também elemento de coesão textual. Sua utilização possibilita que não seja repetido o substantivo "olhos" nos demais versos adiante do texto.

Mas, afinal de contas, por que será que, para representar a palavra "olhos," não usamos a palavra "eles" (pronome pessoal do caso reto) no lugar de usar a palavra "os" (pronome pessoal do caso oblíquo)? 

A resposta é aparentemente simples: não se pode usar pronome pessoal do caso reto (no caso, "eles") como complemento verbal. O complemento verbal é a palavra ou a expressão que utilizamos para completar o sentido dos verbos. 

Portanto, como a palavra "olhos" é complemento do verbo "fizera" (que, só a título de reforço e de adiantamento de conceito, está no tempo pretérito mais que perfeito, tempo que, aliás, só utilizamos raríssimas vezes e, ainda assim, predominantemente na escrita e quase nunca na fala do dia a dia), se quisermos utilizar um pronome no lugar do substantivo "olhos", não devemos usar o pronome pessoal do caso reto. Devemos optar pelo uso do pronome pessoal do caso oblíquo. 

Para você compreender um pouco melhor essa noção de complemento verbal, como o verso do poema está construído na ordem indireta (Fizera-os Deus), primeiro vamos passá-lo para a ordem direta recompondo a sua origem. Para isso, siga o esquema:

S= SUJEITO
V = VERBO
CV= COMPLEMENTO VERBAL

Ordem indireta: 
                                         
Fizera-os Deus
   🔻     🔻   🔻
  (V)   CV) (S)


Você deve lembrar que "os" está no lugar de "olhos", que na posição não pode ser substituída por "eles", que seria, no caso, "fizera eles". Essa construção seria errada, porque estaríamos usando pronome do caso reto na posição de complemento verbal.


Ordem direta:


Deus fizera os olhos.
  🔻      🔻        🔻
(S)     (V)     (CV)


Deus  fizera eles. (errado)
  🔻        🔻     🔻  
 (S)      (V)  (CV)


Deus fizera-os. (correto)
  🔻      🔻     🔻
 (S)    (V)  (CV)


Mostrando assim na ordem direta talvez seja mais fácil de você compreender a função da palavra "os", diferenciando o seu uso como pronome pessoal do caso oblíquo, de seu uso como artigo.

Esse mesmo raciocínio servirá para todo o conjunto apresentado no começo deste tópico de estudo: a - as - o - os.

É o que você pode ver abaixo no poema "A palavra", de Carlos Drummond de Andrade. 

A Palavra

Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo 
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos,
saboreando-a.



No último verso do poema a palavra "a" aparece em posição enclítica e, como pronome pessoal do caso oblíquo, está retomando "palavra" que aparece no terceiro verso.

O assunto deste post vai se encerrando por aqui e creio que você fixará melhor sua compreensão sobre o tema tratado nele a partir da realização das atividades propostas para este conteúdo.



Explicações sobre colocação pronominal no vídeo a seguir:







Como saber a classe e a função da palavra "A" dentro do texto?

Dentro de um texto, uma mesma palavra pode assumir função diferente e também pertencer a classes gramaticais distintas.

É o caso da palavra "a" que, a depender do contexto em que ela esteja inserida, pode ser um artigo, um pronome ou uma preposição.

Tópico 1 - Artigo


Repare no exemplo no texto humorístico ao lado ⏩⏩⏩

Note que, nos dois primeiros quadros, a palavra "a" está acompanhando a palavra "Mel". A palavra Mel, por sua vez, pelo fato de dar nome a uma pessoa em específico, é substantivo próprio, porque substantivo próprio é toda palavra que nomeia os seres de maneira especial.

Neste caso, portanto, a palavra "a" em questão é um artigo definido, porque é utilizado no texto para especificar que a palavra "Mel" é um substantivo. Serve também para nos informar que o substantivo "Mel" é uma palavra do gênero feminino e que apresenta uma ideia de número no singular, e não no plural. 

É importante frisar este conceito: artigos definidos são palavras que acompanham os substantivos (os nomes, portanto) e os particularizam, dando ideia de gênero, masculino ou feminino, e também de número, singular ou plural. 




Tópico 2 - Pronome


Mas a palavra "a" pode ser empregada no texto também com a função de pronome pessoal do caso oblíquo, o que é, aliás, muito comum. Pronomes pessoais do caso oblíquo compreendem um conjunto relativamente amplo de palavras que servem para substituir referências textuais na posição de complementos verbais, principalmente, mas aqui trataremos apenas de alguns, a começar pelo pronome oblíquo representado pela palavra "a".

Veja o exemplo a seguir:

Poeminha filosófico 

                       Gedeon Campos


O tempo estraga a carne!
Assim vovó que dizia
Punha sal, punha pimenta,
Vinagre, o que mais podia
Pra conter força do tempo
Sobre a matéria ela ia
Mexendo e virando a carne
Dentro da baixela fria
O tempo a incomodava
Causava então agonia
A mão ia temperando
De seu lado eu assistia
Que os gestos modificavam
Seu semblante descaia
E naquela intervenção
Pequeno eu nem sabia
Mas seus gestos demorados
Pode ser que até nem via
Que ao socorrer a carne
Enquanto o peito sofria
Vovó metaforizava
Fazendo filosofia. 
No caso do 9º verso que aparece sublinhado acima, a palavra "a" em negrito não desempenha o mesmo papel que os demais "a" presentes no texto. Logo, em "o tempo a incomodava", a palavra em destaque é um pronome pessoal do caso oblíquo e está substituindo "vovó", citada no segundo verso do poema. 

Trata-se de um complemento verbal que pode ser explicado do seguinte modo:

  1. O tempo incomodava vovó. (nome)
  2. O tempo incomodava ela. (pronome pessoal do caso reto)
  3. O tempo a incomodava. (pronome pessoal do caso oblíquo)
Importante saber que o pronome pessoal do caso oblíquo será sempre requisitado nas situações em que o uso do pronome pessoal do caso reto não puder aparecer na frase, por questões de regra estabelecida pela norma padrão da língua. Como o pronome pessoal do caso reto não pode aparecer como complemento de verbo, e sendo a palavra "incomodava" um verbo, logo, faz-se necessário substituir esse pronome do caso reto do enunciado 2 por um pronome do caso oblíquo, como aparece em 3.




Tópico 3 - Preposição


O terceiro papel da palavra "a" é o de preposição, neste caso, servindo para estabelecer a conexão entre termos de um enunciado, ou seja, para ligar palavras entre si, promovendo entre elas alguma relação de sentido. 

O conjunto é relativamente grande, se contarmos todas as espécies de preposição existentes na língua portuguesa. E a palavra "a" faz parte desse conjunto, como aparece no exemplo abaixo: 

                   Pneumotórax

                                              Manuel Bandeiras

Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
– Diga trinta e três.
– Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
– Respire.
– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Nesse último verso do poema de Manuel Bandeiras, na parte sublinhada a palavra "a" aparece duas vezes e, nos dois casos, a função é distinta. No caso de "a única", a palavra "a" é um artigo, servindo para acompanhar e determinar "única" como palavra feminina do singular. Já no segundo caso, em "coisa a fazer" a palavra "a" é uma preposição, que está lingando "coisa" e "fazer". No caso da preposição, você pode identificá-la, fazendo a substituição da palavra "a" pela palavra "para" que não haverá alteração no sentido do texto. 

Repare: 

"A única coisa para fazer é tocar um tango argentino". 


Via de regra, quando isso puder ser feito sem acarretar problemas para o sentido original do texto, é porque, nesses casos, a palavra "a" é uma preposição.  





quarta-feira, 15 de abril de 2020

9ºD - Link para acessar a plataforma Folha de Atividades 2

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domingo, 12 de abril de 2020

Folha de atividades 2

Caros alunos,

Seguimos em nossa quarentena de atividades online com as tarefas periodicamente postadas em minha página gedeoncampos.blogspot.com. 
Considerando as aulas ministradas no primeiro bimestre e os vídeos postados em minha página tratando dos gêneros e das tipologias textuais, incluí a folha de atividades número 02 com foco nos gêneros e nos tipos textuais, na leitura, compreensão e interpretação e também fazendo abordagens relacionadas a estruturas linguísticas.

Deste modo, sugiro que leiam atentamente o texto que dá origem às dez atividades, transcrevam para o caderno as questões e marquem o que está sendo pedido para cada questão.


Colégio Estadual Jardim Tiradentes
Disciplina: Língua Portuguesa – Série: 9° Ano
Professor: Gedeon Campos
Folha de Atividades – Data: 10/abril/2020
Conteúdo: gêneros e tipos textuais, leitura e interpretação, estruturas linguísticas

                                                                                                                         

O MENINO QUE MORREU AFOGADO

(Bernardo Élis)

Já tinha um horror de gente na beira do rio quando o delegado chegou. O corpo nu do menino estendia-se na areia. Arroxeado. Frio. Empanzinado.
O delegado sentenciou que estava morto. Embora todos já soubessem disso, o espanto foi geral. E houve um silêncio mau, sarcasticamente cheio de reflexões. Logo, porém, vieram os comentários: “que o menino estava vadiando no rio cheio e deu um de-ponta. Que demorou a voltar à tona. Os outros meninos gritaram, berraram. Que o vendeiro veio correndo, mergulhou também. Chegaram mais pessoas. Depois meia hora o corpo passava na passagem e um velho o tirou. Quê isso, quê aquilo, quê era uma sucuri que tinha ali”.
Agora o cadaverzinho estava estendido na praia. O delegado esbravejou contra essas mulheres que  botam os filhos no mundo e não lhes dão educação, não cuidam deles.
¾ Mas a mãe dele era a cozinheira da pensão e nem sabia de nada!
¾ Ah! é?!
Começaram a calçar no menino a calcinha suja e remendada.

Aqueles meninos da Rua da beira do rio viviam dentro dágua o que dava o dia. O rio era a escola deles. Sua diversão, seu mundo enfim. As águas claras e mansas davam-lhes o carinho que o trabalho não deixava as mães lhes dar. Davam-lhes brinquedo que a falta de cobre negava.
Para os meninos ricos, havia papai noel. Para os da Rua da beira do rio, enchente.
Eles ficavam imaginando uma cheia que cobrisse as casas da Rua de baixo. Então só os telhados ficariam de fora. Poderiam dar de-pontas da torre da igreja, ir nadando de casa em casa, fazer barquinhos e sair remando por entre os telhados.
Naquela noite de fim de dezembro o rio roncou feito um danado. De manhã, a luz morta do dia punha reflexos idiotas nos redemoinhos traiçoeiros das águas barrentas. No meio, a correnteza se encrespava em saltos selvagens, em saracoteios lúbricos, numa volúpia diabólica de destruição.
O menino enfincou um pauzinho na areia da praia, marcando a orla das águas. Com pouco, sumiu tudo.
¾ Capaz do rio passar pro riba da ponte.
Depois foram nadar na vargem. Mas o rio estava enfezado, trombudo, cheio de instintos criminosos e arrebatou o menino.
¾ Quem morreu, descansou. Vamos cuidar dos vivos ¾ disse o Delegado. E o povo riu, porque a presença incômoda da morte rondava friamente a criança arroxeada.

(Transcrito do livro Ermos e Gerais. Obra Reunida de Bernardo Élis. Editora José Olympio, Rio de Janeiro, 1987. Coleção Alma de Goiás)
     
Questão 01                                                                                                                    

Considerando as características do texto “O menino que morreu afogado”, pode-se concluir que ele pertence ao gênero:

a. (     )      Notícia
b. (     )      Conto
c. (     )      Crônica
d. (     )     História

Questão 02                                                                                                                    

Reconheça abaixo qual elemento não aparece no texto acima e não é próprio do seu gênero.

a. (     )           Narrador
b. (     )          Personagens
c. (     )           Manchete
d. (     )          Espaço

Questão 03                                                                                                                    

Qual das tipologias dadas abaixo é predominante no texto “O menino que morreu afogado”?

a. (     )           Narração
b. (     )          Argumentação
c. (     )           Descrição
d. (     )          Exposição

Questão 04                                                                                                                    

Identifique e marque a alternativa em que ocorre predominância da tipologia argumentativa?

a. (     )  Já tinha um horror de gente na beira do rio quando o delegado chegou. O corpo nu do menino estendia-se na areia. Arroxeado. Frio. Empanzinado.

b. (     )    Aqueles meninos da Rua da beira do rio viviam dentro dágua o que dava o dia. O rio era a escola deles. Sua diversão, seu mundo enfim. As águas claras e mansas davam-lhes o carinho que o trabalho não deixava as mães lhes dar. Davam-lhes brinquedo que a falta de cobre negava.

c. (     )     Naquela noite de fim de dezembro o rio roncou feito um danado. De manhã, a luz morta do dia punha reflexos idiotas nos redemoinhos traiçoeiros das águas barrentas. No meio, a correnteza se encrespava em saltos selvagens, em saracoteios lúbricos, numa volúpia diabólica de destruição.

d. (     )  Depois foram nadar na vargem. Mas o rio estava enfezado, trombudo, cheio de instintos criminosos e arrebatou o menino.

Questão 05                                                                                                                    

Em apenas uma das alternativas abaixo, recortadas do texto “O menino que morreu afogado”, o autor teria utilizado apenas a linguagem literal. Marque-a:

a. (     )      O corpo nu do menino estendia-se na areia.

b. (     )      Os outros meninos gritaram, berraram.

c. (     )      Naquela noite de fim de dezembro o rio roncou feito um danado.

d. (     )     Mas o rio estava enfezado, trombudo, cheio de instintos criminosos e arrebatou o menino.

Questão 06                                                                                                                   

O autor produziu o texto “O menino que morreu afogado” fazendo uso dos dois níveis de linguagem: linguagem padrão e linguagem não padrão. Dito isso, identifique nas alternativas abaixo qual trecho haveria marcas de linguagem não padrão.

a. (     )      “O delegado sentenciou que estava morto.”

b. (     )      “Agora o cadaverzinho estava estendido na praia.”

c. (     )      ¾ Capaz do rio passar pro riba da ponte.”

d. (     )     ¾ Quem morreu, descansou. Vamos cuidar dos vivos ¾ disse o Delegado.”

Questão 07                                                                                                                    

Elipse é um recurso da escrita que consiste em omitir (ou seja, deixar de escrever) uma palavra pelo fato de ela, ou já ter sido citada anteriormente ou por ser facilmente subentendida no momento da leitura. Dito isso, leia atentamente os trechos abaixo e identifique em qual, ou quais, deles estaria ocorrendo elipse.

     I.     Depois meia hora o corpo passava na passagem e um velho o tirou.

  II.     Para os meninos ricos, havia papai noel. Para os da Rua da beira do rio, enchente.

III.   O menino enfincou um pauzinho na areia da praia, marcando a orla das águas. Com pouco, sumiu tudo.

a. (     )      Ocorre elipse apenas em I

b. (     )      Ocorre elipse em I e II

c. (     )      Ocorre elipse em I e III

d. (     )     Ocorre elipse em II e III

Questão 08                                                                                                                    

O sufixo “inho” marca o diminutivo em substantivos e adjetivos. Por exemplo, para o substantivo “pé” temos “pezinho”; para o adjetivo “lindo” temos “lindinho”; e por aí vai. Mas há situações em que o diminutivo é utilizado em sentido carinhoso ou depreciativo. Assim sendo, identifique a alternativa em que a palavra sublinhada apresenta o sufixo “inho”, mas sem fazer referência à dimensão daquilo que é citado:
   
a. (     )      Agora o cadaverzinho estava estendido na praia.

b. (     )      Começaram a calçar no menino a calcinha suja e remendada.

c. (     )      Poderiam dar de-pontas da torre da igreja, ir nadando de casa em casa, fazer barquinhos e sair remando por entre os telhados.

d. (     )     O menino enfincou um pauzinho na areia da praia, marcando a orla das águas.

Questão 09                                                                                                                  

No trecho: “E o povo riu, porque a presença incômoda da morte rondava friamente a criança arroxeada.”, a palavra sublinhada é uma conjunção que introduz uma ideia de:

a. (     )      Tempo
b. (     )      Oposição
c. (     )      Explicação
d. (     )     Conclusão

Questão 10                                                                                                                    

Há frases nominais e frases oracionais. Algumas frases oracionais são compostas de uma única ideia, enquanto outras podem possuir tantas quanto seu autor achar necessário. Dito isso, indique o número de ideia(s) que há na frase que transcrevemos do texto “O menino que morreu afogado”:

“O delegado esbravejou contra essas mulheres que  botam os filhos no mundo e não lhes dão educação, não cuidam deles.”

a. (     )      1 ideia
b. (     )      2 ideias
c. (     )      3 ideias
d. (     )     4 ideias





Produção de texto

Leia a coletânea de textos a seguir: TEXTO 1 A Águia Que Quase Virou Galinha Autor: anônimo   Era uma vez um camponês que foi à flores...