quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Produção de texto


Leia a coletânea de textos a seguir:

TEXTO 1


A Águia Que Quase Virou Galinha

Autor: anônimo

 

Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha.

Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: “Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia”.

“De fato”, disse o homem. “É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras.”

“Não”, retrucou o naturalista. “Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.”

“Não”, insistiu o camponês. “Ela virou galinha e jamais voará como águia.”

Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse: “Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!”.

A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.

O camponês comentou. “Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!”.

“Não”, tornou a insistir o naturalista. “Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.”

No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe: “Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!”.

Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas.

O camponês sorriu e voltou à carga: “Eu havia lhe dito, ela virou galinha!”.

“Não”, respondeu firmemente o naturalista. “Ela é águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.”

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e dourava os picos das montanhas.

O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: “Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!”.

A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.

Foi quando ela abriu suas potentes asas. Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e a voar cada vez mais para o alto. Voou. E nunca mais retornou.



TEXTO 2


A águia que (quase) virou galinha

Autor: Rubem Alves

 

A ideia desta história não é minha. Meu é só o jeito de contar. Era uma vez uma águia que foi criada num galinheiro. Cresceu pensando que era galinha. Era uma galinha estranha (o que a fazia sofrer). Que tristeza quando se via refletida nos espelhos das poças d’água tão diferente! O bico era grande demais, adunco, impróprio para catar milho, como todas as outras faziam. Seus olhos tinham um ar feroz, diferente do olhar amedrontado das galinhas, tão ao sabor do amor do galo. Era muito grande em relação às outras, era atlética. Com certeza sofria de alguma doença. E ela queria uma coisa só: ser uma galinha comum, como todas as outras. Fazia um esforço enorme para isso. Treinava ciscar com bamboleio próprio. Andava meio agachada, para não se destacar pela altura. Tomava lições de cacarejo. O que mais queria: que seu cocô tivesse o mesmo cheiro familiar e acolhedor do cocô das galinhas. O seu era diferente, inconfundível. Todos sabiam onde ela tinha estado e riam.

Sua luta para ser igual a levava a extremos de dedicação política. Participava de todas as causas. Quando havia greve por rações de milho mais abundantes, ela estava sempre na frente. Fazia discursos inflamados contra as péssimas condições de segurança do galinheiro, pois a tela precisava ser arrumada, estava cheia de buracos (nunca lhe passava pela cabeça aproveitar-se dos furos para fugir, porque o que ela queria não era a liberdade, era ser igual às outras, mesmo dentro do galinheiro).

Pregava a necessidade de uma revolução no galinheiro. Acabar com o dono que se apossava do trabalho das galinhas. O galinheiro precisava de nova administração galinácea. (Acabar com o galinheiro, derrubar as cercas, isso era coisa impensável. O que se desejava era um galinheiro que fosse bom, protegido, onde ninguém pudesse entrar – muito embora o reverso fosse “de onde ninguém pudesse sair”).

Aconteceu que, um dia, um alpinista que se dirigia para o cume das montanhas passou por ali. Alpinistas são pessoas que gostam de ser águias. Não podendo, fazem aquilo que chega mais perto. Sobem a pés e mãos, até as alturas onde elas vivem e voam. E ficam lá, olhando para baixo, imaginando que seria muito bom se fossem águias e pudessem voar.

O alpinista viu a águia no galinheiro e se assustou.

-- O que você, águia, está fazendo no meio das galinhas? -- Ele perguntou.

Ela pensou que estava sendo caçoada e ficou brava.

-- Não me goza. Águia é a vovozinha. Sou galinha de corpo e alma, embora não pareça.

-- Galinha coisa nenhuma, replicou o alpinista. Você tem bico de águia, olhar de águia, rabo de águia, cocô de águia. É ÁGUIA. Deveria estar voando… -- E apontou para minúsculos pontos no céu, muito longe, águias que voam perto dos picos das montanhas.

-- Deus me livre! Tenho vertigem das alturas. Me dá tonteira. O máximo, para mim, é o segundo degrau do poleiro, ela respondeu.

O alpinista percebeu que a discussão não iria a lugar nenhum. Suspeitou que a águia até gostava de ser galinha. Coisa que acontece frequentemente. Voar é excitante, mas dá calafrios. O galinheiro pode ser chato, mas é tranquilo. A segurança atrai mais que a liberdade.

Assim, fim de papo. Agarrou a águia e enfiou dentro de um saco. E continuou sua marcha para o alto da montanha. Chegando lá, escolheu o abismo mais fundo, abriu o saco e sacudiu a águia no vazio. Ela caiu. Aterrorizada, debateu-se furiosamente procurando algo a que se agarrar. Mas não havia nada. Só lhe sobravam as asas.

E foi então que algo novo aconteceu. Do fundo de seu corpo galináceo, uma águia, há muito tempo adormecida e esquecida, acordou, se apossou das asas e, de repente, ela voou. “Lá de cima olhou o vale onde vivera. Visto das alturas ele era muito mais bonito. Que pena que há tantos animais que só podem ver os limites do galinheiro!”


TEXTO 3


A ÁGUIA QUE QUASE VIROU GALINHA

Autor: Gedeon Campos

 

A ideia desta história não é minha. Meu é só o jeito de contar. Consta que certa vez, lá ia um fazendeiro, matuto do pé rachado, caminhando mata afora (mata a dentro), a fim de verificar o que possuía em suas terras. Passeava alheio por entre as árvores, admirando uma coisa aqui, espreitando algum barulho acolá. E foi numa dessas ocasiões que ele percebeu sacudindo no chão, bem debaixo de uma moita, um filhotinho de águia. Olhou nos contornos e não encontrou sua mãe, nem o ninho de onde ele poderia ter se despencado. Foi aí que ele teve uma ideia: abaixou carinhosamente, tomou com cuidado o filhote em suas mãos e o levou para casa, onde depositou no galinheiro aos pés de uma galinha que há pouco havia chocado uma ninhada de pintos.

À medida que o tempo foi passando, os pintinhos foram virando franguinhos e a águia também cresceu, embora suas medidas fossem visivelmente desproporcionais em relação aos demais do bando. Isso, porém, não a incomodava em nada, pois crescera acreditando que fossem legítimos irmãos, filhos de uma mesma ninhada, de uma mesma mãe, aquela galinha carijó majestosa, que agora circulava pelo terreiro batendo o bico na terra e colhendo migalhas, ciscando o chão para lá e para cá, sem se lembrar dos filhos de outrora, posto já estar acompanhada de uma nova ninhada.

A paz reinou no galinheiro por algum tempo, até que um dia apareceu na fazenda um jovem ornitólogo, sujeito curioso que se dedicava ao estudo dos pássaros. E foi justamente quando passeavam pelo quintal do fazendeiro que ele estranhou:

-- Diga-me uma coisa, senhor: o que faz aquela águia ali dentro, presa nos limites do galinheiro?

O fazendeiro então contou toda a sua história e assegurou que, com a convivência naquele meio desde pequena, a águia perdera sua natureza. O ornitólogo, que era, porém, versado no assunto de pássaros e conhecia a natureza das espécies, retrucou firme:

-- Loucura! Nada muda a natureza de uma águia. Solte-a e verá como ela ganhará a imensidão do céu!

Daí o fazendeiro, só para provar que estava certo, abriu a porta do galinheiro e, de fato, a águia saiu enfileirada e, quando ganhou o terreiro, se limitou a passear obediente de um lado para outro, batendo o bico na terra, ciscando o chão naquele seu modo mais desengonçado de ser galinha. Foi aí que o fazendeiro, todo despreocupado e mastigando um palito de fósforo num canto da boca, disse ao ornitólogo:

-- Tomô, papudo! Eu num falei que ela num é mais águia, que virô uma galinha?! Espia só ela lá, num é um galinhão, sô! – E riu todo satisfeito nos seus dentões cheios de sujeira do café da manhã.

-- Tolice! – Retrucou o ornitólogo, prometendo provar que o fazendeiro estava errado. Na sequência, sem que a ave oferecesse qualquer resistência, ele pegou nos braços a águia e, num gesto desesperado, lançou-a para o alto na esperança de que voasse.

-- Voe, porque seu lugar é o alto da montanha! – Gritou o ornitólogo. Mas para sua surpresa, a ave bateu suas asas umas duas ou três vezes e pousou novamente no terreiro, onde retomou a confortável tarefa de coletar migalhas.

Apesar de enfrentar os olhares de deboche do fazendeiro, o ornitólogo ainda fez duas outras tentativas, primeiro, do alto de um telhado, depois, das grimpas de uma árvore, mas tudo em vão. Foi daí que ele teve uma ideia. Levou a ave até um desfiladeiro, a um ponto tão elevado, mas tão elevado, de onde mal dava para avistar com clareza o que havia lá embaixo. E foi dali que ele lançou impiedoso a águia no vazio do espaço.

Com o impulso sofrido, a ave fechou os olhos e ficou no ar esticando os pés uma, duas, três vezes, tateando o vazio do espaço, na esperança inútil de ter abaixo o velho pau do galinheiro, ou o galho de uma árvore qualquer. Nada disso encontrando, porém, resolveu finalmente abrir os olhos e o que viu abaixo foi um imenso precipício, tudo muito aterrador. Então, num gesto desesperado, a águia não viu outra saída, a não ser abrir suas potentes asas, que ela bateu, a princípio muito desengonçadamente, depois, com mais e mais força, até que conseguiu aprumar o corpo e desaparecer no espaço, rumo a alguma montanha distante de onde nunca mais voltaria para viver naquele galinheiro.



MÃO NA MASSA

ATIVIDADE________________________________

Recontar histórias, dos livros ou da tradição oral, é uma maneira interessante e bastante produtiva que contribui para o desenvolvimento de um conjunto de habilidades, sobretudo daquelas relacionadas à escrita e à leitura. Com base nessa premissa, propomos uma produção inspirada em um reconto de Rubem Alves, da fábula, (ou, talvez, parábola) "A águia que quase virou galinha". Depois de ler os textos, o interessado na atividade deve produzir também a sua versão. A sugestão é que comece com essas duas frases: "A ideia desta história não é minha. Meu é só o jeito de contar."

quinta-feira, 5 de junho de 2025

NOTÍCIA

A notícia é um gênero textual. Circulando nos veículos de comunicação (jornais, revistas, sites de internet, televisão e rádio), a notícia é um texto que se apoia em fatos, em acontecimentos do passado, do presente e do futuro (já que é possível noticiar também o que irá acontecer). 

O texto do gênero notícia, em tese, prima pela objetividade, com o propósito de de informar as pessoas sobre algo que ocorreu, que ocorre ou que ocorrerá. Sua linguagem, em rigor, é simples e direta e deve responder às seguintes questões: 


1 - O que aconteceu; 

2 - Quem, ou com quem aconteceu; 

3 - Quando aconteceu; 

4 - Onde aconteceu; 

5 - Como aconteceu; 

6 - Por que aconteceu.


AS PARTES DA NOTÍCIA


I- TÍTULO: também concebido como manchete por alguns, o título deve aparecer em negrito (bold), em tamanho de destaque. É o nome que o jornalista dá à notícia produzida. O título deve ser interessante e sintetizar as informações mais importantes da notícia. Nele utiliza-se preferencialmente verbos no tempo presente, como é possível perceber a partir das capas de jornais abaixo.



No construção do título, evita-se também começar com palavras que sejam da categoria dos artigos, a exemplo das palavras "a, as, o, os, um, uns, uma, uns". Com artigo, a manchete do primeiro jornal acima seria "Os EUA anunciam taxa de 25% sobre o aço de todo o mundo". E do segundo jornal a manchete seria "A justiça proíbe iFood de cobrar valor mínimo em pedidos".

Não empregar artigos nos títulos das notícias não tem uma explicação fora do que a gente poderia chamar de estilo. É talvez uma forma de dar maior ênfase ao fato noticiado, ou uma maneira de economizar espaço nas páginas dos jornais.

II- OLHO (OU JANELA): é um texto curto com a dimensão de uma a três linhas, onde o jornalista insere as informações mais importantes que estariam presentes na notícia produzida. Geralmente não se utiliza ponto para concluir as frases desse gênero textual, conforme aparece abaixo:


III- RETRANCA (ou chapéu): Normalmente escrita em caixa alta, a retranca é o termo constituído de uma ou duas palavras que define o assunto da matéria. Nas redações jornalísticas, a retranca aparece imediatamente acima do título. Tomando como exemplo a matéria acima, a retranca é a expressão "TRAGÉDIA CLIMÁTICA".


IV - LIDE: É a parte inicial da notícia, onde o jornalista deverá responder de maneira indireta às seis perguntas essenciais (o que, quem, onde, quando, como e por que). Nas redações jornalísticas, a recomendação é de que o lide seja construído logo no primeiro parágrafo ou, quando muito, até a conclusão do segundo parágrafo, pois ele é a chave para captar a atenção do leitor, transmitindo a ele as informações essenciais de forma rápida e eficaz, assim despertando o seu interesse pela leitura completa da matéria, ou passando-lhe informações suficientes para que, caso não leia na íntegra, estará informado basicamente sobre os fatos noticiados.


V- FOTOGRAFIA: A notícia pode conter também fotografia, que é a parte ilustrativa da matéria, responsável por ampliar e facilitar a compreensão do leitor. Ela irá complementar o texto, oferecendo ao leitor uma narrativa visual da realidade. As fotografias jornalísticas devem ser claras, confirmando o que é dito na matéria, serem diretas e objetivas, retratando a realidade de forma imparcial, sem distorções ou manipulações, contribuindo para reforçar a credibilidade da notícia. 


VI- LEGENDA: A legenda, por sua vez, é um texto breve e descritivo que acompanha a fotografia jornalística. Ela serve para oferecer informações adicionais e contextualizar a imagem, desse modo, contribuindo para a compreensão mais adequada por parte dos leitores. Normalmente aparece na parte inferior da imagem com a dimensão de uma a duas linhas.

VII - TESTEMUNHAS:


VIII - OPINIÕES: 






SUGESTÃO DE ATIVIDADE:

Para exercitar a escrita do gênero notícia, você pode utilizar textos de outros gêneros textuais, a exemplo de contos, romances, novelas, peças teatrais, poesias etc. 
Vamos utilizar para construir um modelo de exemplo o poema Morte do Leiteiro, de Carlos Drummond de Andrade. 

Passo 1: ler o poema abaixo quantas vezes for necessário para compreender a sequência dos fatos que compõem o acontecimento.




Passo 2: fazer um esquema transcrevendo (no caderno, no computador ou em outro meio que será utilizado para produzir a notícia) as partes essenciais onde estariam presentes as informações básicas sobre o ocorrido, tais como as respostas para as perguntas que comporão o lide: o que, quem, quando, onde, como e por que.

1- o que aconteceu: o assassinato de um homem enquanto quando trabalhava entregando leite.

2 - Com quem aconteceu: a vítima é um entregador de leite, com  21 anos de idade, morador da rua Namur, bairro que fica no último subúrbio, empregado em um entreposto (Um entreposto leiteiro é um estabelecimento responsável por receber, armazenar, classificar, distribuir, ou dar outros destinos ao leite coletado).

3 - Onde aconteceu: o poema não especifica, não dá nome ao ambiente, mas consta ser um subúrbio, um bairro de habitação popular onde os moradores viviam inseguros.

4 - Quando aconteceu: o crime ocorre na madrugada, provavelmente entre 4h e 5h, portanto, momentos antes do dia clarear. 

5 - Como aconteceu: o leiteiro estaria entregando leite e os barulhos produzidos por ele no percurso entre um corredor e outro teriam despertado um morador, que acordou e disparou contra o entregador.

6 - Por que aconteceu: o bairro vinha sofrendo com a ação de marginais ou, pelo menos, com a notícia de que a criminalidade infestava o bairro, o que vinha provocando a intranquilidade dos moradores que, por sua vez, viviam em pânico.



Leiteiro é assassinado enquanto trabalhava


Um homem foi assassinado na madrugada de ontem, 10. A vítima foi um leiteiro, morto enquanto trabalhava distribuindo leite para os moradores da região, num bairro da zona leste, onde o caso teria ocorrido. O assassino, que se encontra foragido até o momento, seria um morador local. A motivação ainda não foi devidamente apurada, mas tudo indica que a movimentação nas proximidades da residência para entregar o leite teria despertado um morador que, em pânico, efetuou disparos de revólver que atingiram e ceifaram a vida do trabalhador.

O nome da vítima ainda não teria sido divulgado até o fechamento desta matéria. Mas, de acordo com informações levantadas no local do crime, trata-se de um homem com cerca de 20 anos de idade. Há informações também de que seria morador da rua Namur, que está localizada no último subúrbio da cidade. Ele era funcionário do entreposto leiteiro da cidade, empresa que é encarregada de receber, armazenar e dar destino à produção de leite. O jovem era encarregado do serviço de distribuição de leite para os moradores daquela região e fazia o serviço de entrega de porta em porta durante as madrugadas que antecederam sua morte.   

De acordo com moradores do bairro, a região vem sofrendo com a presença constante de criminosos e isso poderia explicar a motivação da tragédia. "Ladrões infestam o bairro e tiram o sossego de todo mundo", comentaram. "Ladrão se pega é com tiro, porque bandido bom é bandido morto", chegou a comentar um morador que não quis se identificar. 

Segundo eles, a onda de crimes tem tirado o sono dos moradores. seria uma provável motivação para o crime.

 que foi morto enquanto trabalhava 

. O crime aconteceu no subúrbio da cidade e a vítima foi  tinha 21 anos de idade.








terça-feira, 31 de maio de 2022

Caricatura: o que é?






A caricatura é um gênero textual. É a arte de representar a figura humana por meio de desenhos aplicando no retrato as técnicas do exagero. Expressão de todas as deformidades, física ou moral, a caricatura concentra nas desproporcionalidades dos indivíduos representados e opera basicamente com duas figuras de linguagem: a hipérbole e a sinédoque. 

A hipérbole é a ampliação exagerada, que pode acontecer em duas direções opostas, para mais ou para menos. Para mais, quando o que se desejar ressaltar na pessoa retratada for aquela parte que destoa do conjunto exatamente por parecer bem maior do que o ideal, ou daquilo que deveria ser (tal como uma cabeça cujo corpo custaria suportar); ou para menos, quando o que se pretender destacar for aquela parte que, na fisionomia humana, destoa do conjunto por ser bem menor do que o natural, de maneira que, para conduzir a atenção do leitor para a deformidade do retrato, a hipérbole será justamente a intensificação da pequenez.




A sinédoque, por sua vez,  é uma figura de linguagem do campo das metonímias. É um processo de identificação que nos permite reconhecer os seres em geral por meio de algum indício que lhes seja particular. Identificar o pássaro por suas asas, o anjo por sua auréola, o touro por suas aspas, o soldado por seus coturnos são alguns exemplos de identificação por meio de sinédoque. 

Na caricatura, o papel da sinédoque é o de nos fazer enxergar a semelhança que pode haver entre as fisionomias humanas representadas e a anatomia dos animais, dos objetos ou das coisas em geral. Um detalhe de um rosto, por exemplo, pode nos fazer lembrar a cara de uma fuinha, de um macaco, de um porco ou outro bicho qualquer. Por seu formato, uma cabeça poderia nos fazer imaginar uma pera, ou uma lâmpada incandescente.


segunda-feira, 30 de maio de 2022

Rima: o que é, como ocorre?

A rima é uma das figuras de som mais conhecidas. Bastante recorrente na poesia, é uma espécie de eco, ou seja, uma semelhança sonora que ocorre entre as palavras, comparando a pronúncia delas a partir da vogal da sílaba tônica.

Por exemplo, os vocábulos "coração" e "perdão" são palavras que rimam entre si, porque ambas são oxítonas e possuem a mesma sonoridade vista a partir da vogal da sílaba tônica: "-ção/-dão". 

No caso das paroxítonas, que são palavras que têm a tônica incidindo sobre a penúltima sílaba (contando da direita para a esquerda), a rima será um pouco mais alongada. Isso porque a rima envolve a vogal da sílaba tônica até o final da palavra. 

A palavra "leitura", por exemplo, não tem sua rima na sílaba "-ra", mas em "ura", combinando, portanto, com palavras como "loucura", "estrutura", formosura", entre outras.

Nas palavras proparoxítonas, que são aquelas que têm a tônica na antepenúltima sílaba (na terceira, contando da direita para a esquerda) e que, obrigatoriamente, precisam ser acentuadas, as rimas são as mais incomuns. 

Na palavra "esquelético", por exemplo, cuja sílaba tônica é "-lé", a rima é, portanto, "-ético". Deste modo, rimamos a palavra "esquelético" com palavras como "patético", "imagético" entre outras.

Sugestão de atividades:

Um bom exercício para nós compreendermos o que é rima ou para exercitarmos o nosso aprendizado, é começando com o nosso próprio nome ou com o nosso nome de família. Então, vamos lá:

1) Primeiro passo: verifique se o seu nome (ou sobrenomes), pela posição da sílaba tônica dele, é palavra oxítona, paroxítona ou proparoxítona;


2) Segundo passo: identifique a vogal da sílaba tônica e a partir dela, toda a extensão da rima do seu nome;


3) Terceiro passo: encontre em livros, recortes de jornais ou na sua memória pelo menos 10 palavras que rimam com o seu nome (ou com seus sobrenomes).


4) Quarto passo: passe tudo para o caderno e apresente ao seu professor.

 

 

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Acróstico

O acróstico é uma composição poética muito comum entre os poetas da cultura popular e geralmente aparece nos finais das poesias de cordel. Muitos autores cordelistas costumam fechar suas histórias empregando um acróstico, seja utilizando o seu próprio nome ou alguma palavra conceitual escrita na vertical, como no exemplo a seguir:

Acróstico com nome do autor

Geralmente o ser humano
Está sempre aprendendo
Das muitas coisa da vida
E conhecimento tendo
O meu "eu" se desenvolve
Nas coisas que eu vou lendo.


Acróstico com palavra conceito

Fazer as coisas corretas 
E nunca prejudicar
Literalmente ninguém
Invés disso ajudar
Contribuir com o próximo
Invés de atrapalhar
Doar um pouco de si
Ao semelhante apoiar
Daí a felicidade
Em ti irá habitar


O acróstico é uma forma de composição poética muito comum na elaboração de homenagens, como por exemplo, aos pais, aos professores etc. A atividade contribui para o aprendizado das palavras e para o enriquecimento vocabular.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Poesia de Cordel

A poesia de cordel é um gênero textual, oriundo de Portugal e Espanha, com força principalmente na região Nordeste. Estados como Paraíba, Ceará, Pernambuco, entre outros, já forneceram ao país importantes cordelistas que, juntos, construíram um acervo de milhares de obras, tematizando os mais diversos assuntos, que vão desde o imaginário popular, com suas crendices, mitos e lendas, até fatos jornalísticos, políticos e históricos.

Considerado uma das formas de poesia popular, o cordel se apresenta de diferentes formas e estruturas, mas a mais comum, mesmo, praticada por uma infinidade de cordelistas, é a composição de sextilhas e septilhas, com esquemas de rima XAXAXA e XAXABBA, respectivamente, com versos "relativamente" regulares nos quais predomina a tipologia narrativa.

O esquema de rimas XAXAXA é aquele em que os versos ímpares não rimam com nenhum outro verso e os versos pares rimam entre si.

Rima é a semelhança sonora que ocorre entre as palavras sempre a partir da sílaba tônica, como no caso das palavras encanto/espanto ou na palavras educação/emoção

Para compreender o que é rima não se pode confundir sílabas com som, porque embora palavras terminem com a mesma sílaba, a sonoridade delas não irá configurar necessariamente numa rima, como é o caso das palavras espelho/espalho. Logo, é preciso levar em consideração que a rima, com exceção das palavras oxítonas, cuja rima está estabelecida na última sílaba inteira, toma a vogal a partir da sílaba tônica até o final da palavra, como no caso dos pares espelho/conselho e espalho/frangalho.

Veja um exemplo de narrativa em cordel composto no esquema de rima sextilha (XAXAXA), na história de um dos maiores cordelistas brasileiro, o poeta paraibano Leandro Gomes de Barros.


















[X] Na cidade de Macaé
[A] Antigamente existia
[X] Um duque velho invejoso
[A] Que nada o satisfazia
[X] Desejava possuir
[A] Todo objeto que via

Esse duque era compadre
De um pobre muito atrasado
Que morava em sua terra
Num rancho todo estragado
Sustentava seus filhinhos
Na vida de alugado.

Se vendo o compadre pobre
Naquela vida privada
Foi trabalhar nos engenhos
Longe da sua morada
Na volta trouxe um cavalo
Que não servia pra nada

Disse o pobre à mulher:
‒ Como havemos de passar?
O cavalo é magro e velho
Não pode mais trabalhar
Vamos inventar um “quengo”
Pra ver se o querem comprar.

Foi na venda e de lá trouxe
Três moedas de cruzado
Sem dizer nada a ninguém
Para não ser censurado
No fiofó do cavalo
Foi o dinheiro guardado

Do fiofó do cavalo
Ele fez um mealheiro
Saiu dizendo: ‒ Sou rico!
Inda mais que um fazendeiro,
Porque possuo o cavalo
Que só defeca dinheiro.

Quando o duque velho soube
Que ele tinha esse cavalo
Disse pra velha duquesa:
‒ Amanhã vou visitá-lo
Se o animal for assim
Faço o jeito de comprá-lo!

Saiu o duque vexado
Fazendo que não sabia,
Saiu percorrendo as terras
Como quem não conhecia
Foi visitar a choupana,
Onde o pobre residia.

Chegou salvando o compadre
Muito desinteressado:
‒ Compadre, Como lhe vai?
Onde tanto tem andado?
Há dias que lhe vejo
Parece está melhorado…

‒ É muito certo compadre
Ainda não melhorei
Porque andava por fora
Faz três dias que cheguei
Mas breve farei fortuna
Com um cavalo que comprei.

‒ Se for assim, meu compadre
Você está muito bem!
É bom guardar o segredo,
Não conte nada a ninguém.
Me conte qual a vantagem
Que este seu cavalo tem?
 
Disse o pobre: ‒ Ele está magro
Só o osso e o couro,
Porém tratando-se dele
Meu cavalo é um tesouro
Basta dizer que defeca
Níquel, prata, cobre e ouro!

Aí chamou o compadre
E saiu muito vexado,
Para o lugar onde tinha
O cavalo defecado
O duque ainda encontrou
Três moedas de cruzado.

 Então exclamou o velho:
‒ Só pude achar essas três!
Disse o pobre: ‒ Ontem à tarde
Ele botou dezesseis!
Ele já tem defecado,
Dez mil réis mais de uma vez.

‒ Enquanto ele está magro
Me serve de mealheiro.
Eu tenho tratado dele
Com bagaço do terreiro,
Porém depois dele gordo
Não quem vença o dinheiro…

Disse o velho: ‒ meu compadre
Você não pode tratá-lo,
Se for trabalhar com ele
É com certeza matá-lo
O melhor que você faz
É vender-me este cavalo!

‒ Meu compadre, este cavalo
Eu posso negociar,
Só se for por uma soma
Que dê para eu passar
Com toda minha família,
E não precise trabalhar.

O velho disse ao compadre:
‒ Assim não é que se faz
Nossa amizade é antiga
Desde os tempos de seus pais
Dou-lhe seis contos de réis
Acha pouco, inda quer mais?

‒ Compadre, o cavalo é seu!
Eu nada mais lhe direi,
Ele, por este dinheiro
Que agora me sujeitei
Para mim não foi vendido,
Faça de conta que te dei!

O velho pela ambição
Que era descomunal,
Deu-lhe seis contos de réis
Todo em moeda legal
Depois pegou no cabresto
E foi puxando o animal.

Quando ele chegou em casa
Foi gritando no terreiro:
‒ Eu sou o homem mais rico
Que habita o mundo inteiro!
Porque possuo um cavalo
Que só defeca dinheiro!

Pegou o dito cavalo
Botou na estrebaria,
Milho, farelo e alface
Era o que ele comia
O velho duque ia lá,
Dez, doze vezes por dia…

Aí o velho zangou-se
Começou logo a falar:
‒ Como é que meu compadre
Se atreve a me enganar?
Eu quero ver amanhã
O que ele vai me contar.

Porém o compadre pobre,
(Bicho do quengo lixado)
Fez depressa outro plano
Inda mais bem arranjado
Esperando o velho duque
Quando viesse zangado…

O pobre foi na farmácia
Comprou uma borrachinha
Depois mandou encher ela
Com sangue de uma galinha
E sempre olhando a estrada
Pré ver se o velho vinha.

Disse o pobre à mulher:
‒ Faça o trabalho direito
Pegue esta borrachinha
Amarre em cima do peito
Para o velho não saber,
Como o trabalho foi feito!

Quando o velho aparecer
Na volta daquela estrada,
Você começa a falar
Eu grito: ‒ Oh mulher danada!
Quando ele estiver bem perto,
Eu lhe dou uma facada.

Porém eu dou-lhe a facada
Em cima da borrachinha
E você fica lavada
Com o sangue da galinha
Eu grito: ‒ Arre danada!
Nunca mais comes farinha!
 
Quando ele vir você morta
Parte para me prender,
Então eu digo para ele:
‒ Eu dou jeito ela viver,
O remédio tenho aqui,
Faço para o senhor ver!

‒ Eu vou buscar a rabeca
Começo logo a tocar
Você então se remexa
Como quem vai melhorar
Com pouco diz: ‒ Estou boa
Já posso me levantar.

Quando findou-se a conversa
Na mesma ocasião
O velho ia chegando
Aí travou-se a questão
O pobre passou-lhe a faca,
Botou a mulher no chão.

O velho gritou a ele
Quando viu a mulher morta:
‒ Esteja preso, bandido!
E tomou conta da porta
Disse o pobre: ‒ Vou curá-la!
Pra que o senhor se importa?

‒ O senhor é um bandido
Infame de cara dura
Todo mundo apreciava
Esta infeliz criatura
Depois dela assassinada,
O senhor diz que tem cura?

Compadre, não admito
O senhor dizer mais nada,
Não é crime se matar
Sendo a mulher malcriada
E mesmo com dez minutos,
Eu dou a mulher curada!

Correu foi ver a rabeca
Começou logo a tocar
De repente o velho viu
A mulher se endireitar
E depois disse: ‒ Estou boa,
Já posso me levantar…

O velho ficou suspenso
De ver a mulher curada,
Porém como estava vendo
Ela muito ensanguentada
Correu ela, mas não viu,
Nem o sinal da facada.

O pobre entusiasmado
Disse-lhe: ‒ Já conheceu
Quando esta rabeca estava
Na mão de quem me vendeu,
Tinha feito muitas curas
De gente que já morreu!

No lugar onde eu estiver
Não deixo ninguém morrer,
Como eu adquiri ela
Muita gente quer saber
Mas ela me está tão cara
Que não me convém dizer.

O velho que tinha vindo
Somente propor questão,
Por que o cavalo velho
Nunca botou um tostão
Quando viu a tal rabeca
Quase morre de ambição.

‒ Compadre, você desculpe
De eu ter tratado assim
Porque agora estou certo
Eu mesmo fui o ruim
Porém a sua rabeca
Só serve bem para mim.

‒ Mas como eu sou um homem
De muito grande poder
O senhor é um homem pobre
Ninguém quer o conhecer
Perca o amor da rabeca…
Responda se quer vender?

‒ Porque a minha mulher
Também é muito estouvada
Se eu comprar esta rabeca
Dela não suporto nada
Se quiser teimar comigo,
Eu dou-lhe uma facada.

‒ Ela se vê quase morta
Já conhece o castigo,
Mas eu com esta rabeca
Salvo ela do perigo
Ela daí por diante,
Não quer mais teimar comigo!
 
Disse-lhe o compadre pobre:
‒ O senhor faz muito bem,
Quer me comprar a rabeca
Não venderei a ninguém
Custa seis contos de réis,
Por menos nem um vintém.

O velho muito contente
Tornou então repetir:
‒ A rabeca já é minha
Eu preciso a possuir
Ela para mim foi dada,
Você não soube pedir.

Pagou a rabeca e disse:
‒ Vou já mostrar a mulher!
A velha zangou-se e disse:
‒ Vá mostrar a quem quiser!
Eu não quero ser culpada
Do prejuízo que houver.

‒ O senhor é mesmo um velho
Avarento e interesseiro,
Que já fez do seu cavalo
Que defecava dinheiro?
‒ Meu velho, dê-se a respeito,
Não seja tão embusteiro.

O velho que confiava
Na rabeca que comprou
Disse a ela: ‒ Cale a boca!
O mundo agora virou
Dou-lhe quatro punhaladas,
Já você sabe quem sou.

Ele findou as palavras
A velha ficou teimando,
Disse ele: ‒ Velha dos diabos
Você ainda está falando?
Deu-lhe quatro punhaladas
Ela caiu arquejando…

O velho muito ligeiro
Foi buscar a rabequinha,
Ele tocava e dizia:
‒ Acorde, minha velhinha!
Porém a pobre da velha,
Nunca mais comeu farinha.

O duque estava pensando
Que sua mulher tornava
Ela acabou de morrer
Porém ele duvidava
Depois então conheceu
Que a rabeca não prestava.

Quando ele ficou certo
Que a velha tinha morrido
Boto os joelhos no chão
E deu tão grande gemido
Que o povo daquela casa
Ficou todo comovido.

Ele dizia chorando:
‒ Esse crime hei de vingá-lo
Seis contos desta rabeca
Com outros seis do cavalo
Eu lá não mando ninguém,
Porque pretendo matá-lo.

Mandou chamar dois capangas:
‒ Me façam um surrão bem feito
Façam isto com cuidado
Quero ele um pouco estreito
Com uma argola bem forte,
Pra levar este sujeito!

Quando acabar de fazer
Mande este bandido entrar,
Para dentro do surrão
E acabem de costurar
O levem para o rochedo,
Para sacudi-lo no mar.

Os homens eram dispostos
Findaram no mesmo dia,
O pobre entrou no surrão
Pois era o jeito que havia
Botaram o surrão nas costas
E saíram numa folia.

Adiante disse um capanga:
‒ Está muito alto o rojão,
Eu estou muito cansado,
Botemos isto no chão!
Vamos tomar uma pinga,
Deixe ficar o surrão.

‒ Está muito bem, companheiro
Vamos tomar a bicada!
(Assim falou o capanga
Dizendo pro camarada)
Seguiram ambos pra venda
Ficando além da estrada…

Quando os capangas seguiram
Ele cá ficou dizendo:
‒ Não caso porque não quero,
Me acho aqui padecendo…
A moça é milionária
O resto eu bem compreendo!

Foi passando um boiadeiro
Quando ele dizia assim,
O boiadeiro pediu-lhe:
‒ Arranje isto pra mim
Não importa que a moça
Seja boa ou ruim!

O boiadeiro lhe disse:
‒ Eu dou-lhe de mão beijada,
Todos os meus possuídos
Vão aqui nessa boiada…
Fica o senhor como dono,
Pode seguir a jornada!

Ele condenado à morte
Não fez questão, aceitou,
Descoseu o tal surrão
O boiadeiro entrou
O pobre morto de medo
Num minuto costurou.

O pobre quando se viu
Livre daquela enrascada,
Montou-se num bom cavalo
E tomou conta da boiada,
Saiu por ali dizendo:
‒ A mim não falta mais nada.

Os capangas nada viram
Porque fizeram ligeiro,
Pegaram o dito surrão
Com o pobre do boiadeiro
Voaram de serra abaixo
Não ficou um osso inteiro.

Fazia dois ou três meses
Que o pobre negociava
A boiada que lhe deram
Cada vez mais aumentava
Foi ele um dia passar,
Onde o compadre morava…

Quando o compadre viu ele
De susto empalideceu;
‒ Compadre, por onde andava
Que agora me apareceu?!
Segundo o que me parece,
Está mais rico do que eu…

‒ Aqueles seus dois capangas
Voaram-me num lugar
Eu caí de serra abaixo
Até na beira do mar
Aí vi tanto dinheiro,
Quanto pudesse apanhar!..

‒ Quando me faltar dinheiro
Eu prontamente vou ver.
O que eu trouxe não é pouco,
Vai dando pra eu viver
Junto com a minha família,
Passar bem até morrer.

‒ Compadre, a sua riqueza
Diga que fui eu quem dei!
Pra você recompensar-me
Tudo quanto lhe arranjei,
É preciso que me bote
No lugar que lhe botei!..

Disse-lhe o pobre: ‒ Pois não,
Estou pronto pra lhe mostrar!
Eu junto com os capangas
Nós mesmos vamos levar
E o surrão de serra abaixo
Sou eu quem quero empurrar!..

O velho no mesmo dia
Mandou fazer um surrão.
Depressa meteu-se nele,
Cego pela ambição
E disse: ‒ Compadre eu estou
À tua disposição.

O pobre foi procurar
Dois cabras de confiança
Se fingindo satisfeito
Fazendo a coisa bem mansa
Só assim ele podia,
Tomar a sua vingança.
 
Saíram com este velho
Na carreira, sem parar
Subiram de serra acima
Até o último lugar
Daí voaram o surrão
Deixaram o velho embolar…

O velho ia pensando
De encontrar muito dinheiro,
Porém sucedeu com ele
Do jeito do boiadeiro,
Que quando chegou embaixo
Não tinha um só osso inteiro.
 
Este livrinho nos mostra
Que a ambição nada convém
Todo homem ambicioso
Nunca pode viver bem,
Arriscando o que possui
Em cima do que já tem.

Cada um faça por si,
Eu também farei por mim!
É este um dos motivos
Que o mundo está ruim,
Porque estamos cercados
Dos homens que pensam assim.

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Produção de texto

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