Nesta publicação, dedicaremos ao estudo
dos gêneros propaganda, publicidade e anúncio publicitário que, embora possuam alguns
aspectos bem sutis estabelecendo a diferença entre eles, são vistos em muitos
estudos como uma mesma coisa.
As
propagandas são produzidas com a finalidade de convencer as pessoas, ou a comprar
um produto, ou a adotar um determinado comportamento. Daí sua natureza
apelativa.
Trata-se
de textos que podem ser verbal oral, verbal escrito, ou verbo-visual que
circulam em diferentes suportes, por rádio, TV, sites de internet, jornais,
revistas, outdoors, cartazes e assim por diante.
PROPAGANDAS COMERCIAIS E PROPAGANDAS INSTITUCIONAIS
Há
duas espécies básicas de propagandas: as comerciais e as institucionais. As
propagandas comerciais são aquelas que têm como finalidade vender produtos.
Já
as propagandas institucionais são produzidas para convencer as pessoas a adotar
determinados procedimentos em nome do bem comum, ou seja, em razão da
coletividade.
Um
claro exemplo de propaganda institucional são as recorrentes campanhas que
chegam ao público sensibilizando a população para que adote o protocolo do
distanciamento social, entre os quais está o uso de máscara.
PROPAGANDAS QUE PROVOCAM A NECESSIDADE VERSUS PROPAGANDAS QUE FIXAM A MEMÓRIA
Algumas
propagandas são produzidas para provocar a necessidade nas pessoas, outras para
fortalecer a memória de um produto ou de uma terminada marca ou empresa.
As
propagandas que geram necessidade são aquelas cujo discurso trabalha a emoção
do público ao qual se dirige. Essas propagandas, geralmente por meio de uma
linguagem imperativa, persuasiva e servindo-se de técnicas retóricas bastante específicas
para tocar as paixões do indivíduo, são responsáveis para movimentar a venda de
mercadorias.
Vamos
criar aqui um exemplo hipotético de propaganda que gera necessidade:
Imagine
uma pessoa que comprou um celular há dois anos, ou um carro. Sabemos que o
aparelho celular tem vida útil para cinco, dez, quinze ou vinte anos, a
depender do zelo de seu proprietário. O carro, então, pode durar décadas.
Mas,
no cenário de produtos que são lançados todos os dias pelas grandes
corporações, as empresas necessitam vender o que elas produzem e, para fazerem a
mercadoria girar, são criadas campanhas que estimulam a relação de desapego e
desafeição entre você e aquilo que você possui. O resultado disso é a impressão
de que precisamos nos livrar daquilo que a gente possui imediatamente, para
colocar no lugar o produto anunciado na propaganda.
O
resultado disso são muitas pessoas trocando de carro e de aparelho celular sem uma necessidade concreta. A justificativa disso é o fato de as pessoas terem perdido o interesse por aquilo que elas adquiriram por influência das campanhas publicitárias.
As
propagandas que geram memória são aquelas que não oferecem o produto de forma
objetiva para satisfação imediata do público, mas desejam que você se lembre de uma determinada marca ou produto, assim que sentir necessidade do produto.
Essa é, por exemplo, a filosofia das campanhas da Nike, que costuma deixar sua logomarca nos
contornos dos campos de futebol, muitas vezes sem nem mesmo utilizar o nome da
empresa. A ideia desse tipo de propaganda é que você, quando pensar em comprar tênis
ou qualquer outro produto do ramo de atuação da empresa, lembre-se de que a
Nike é uma alternativa.
A
Coca-Cola é também outra empresa que trabalha nessa mesma direção, com
propagandas que fortalecem a imagem da empresa.
O QUE HÁ DE POSITIVO E DE NEGATIVO NAS
PROPAGANDAS:
Há
aspectos positivos e aspectos negativos em relação às propagandas, os quais é
conveniente destacar.
Podemos
citar como aspectos positivos da propaganda a movimentação do mercado e o
emprego da mão de obra que vai desde a produção de matérias primas para as indústrias,
passando pelas indústrias de manufaturas e terminando no comércio. Deste modo,
as propagandas, ao induzirem as pessoas a comprar produtos estão construindo
demandas pelas mercadorias e, por sua vez, são essas demandas que vão assegurar
o emprego nos diferentes postos de trabalho.
Mas
há também aspectos negativos. As propagandas, por exemplo, podem induzir as
pessoas a um consumo desenfreado e irracional, o que pode acarretar
principalmente ao desequilíbrio ambiental para o ecossistema, dado o acúmulo de
lixo produzido desnecessariamente com o descarte irracional de material. É o caso que envolve principalmente o lixo tecnológico de celulares e computadores, entre outros.
PROPAGANDAS E O DIREITO:
As
propagandas, muitas vezes no esforço de produzirem maior efeito na sua relação
com o público, podem ferir os direitos das pessoas, tanto na individualidade quanto na coletividade, provocar comportamentos que sejam reprováveis e ferir a cidadania, serem a expressão de preconceitos e
discriminação, além também de induzirem ao erro. É o caso das campanhas deste vídeo que circulou décadas atrás em que a imagem do idoso é depreciada e causou muito incômodo à época de sua circulação.
Por razões dessa natureza é que as propagandas passam por vigilância constante e muitas vezes
encontram-se no centro de alguma polêmica.
O caso mais recente foi o que
envolveu o sertanejo Gustavo Lima, por ocasião de uma live neste período de distanciamento social estabelecido pelos
órgãos de saúde do país e do mundo, em que o cantor aparece fazendo o consumo de bebida alcoólica para promover o produto de uma grande empresa que estava entre as patrocinadoras do show do artista.
O
fato de algumas propagandas reforçarem comportamentos negativos, por muitas
vezes ferindo o direito e a honra de pessoas ou grupos, por induzir pessoas ao
erro, leva a sociedade organizada a entrar com mmedida legal junto ao poder
judiciário, solicitando que esta ou aquela campanha saia de circulação no
rádio, na TV, jornais, revistas, outdoors etc.
Inserimos abaixo um vídeo de algumas propagandas que foram tiradas de circulação, mas você pode encontrar várias referências nos canais de YouTube de campanhas publicitárias que sofreram algum tipo de sanção punitiva e foram proibidas de circular.
O QUE PODEMOS ENCONTRAR NUMA PROPAGANDA:
As propagandas em geral são produzidas utilizando alguns recursos para convencer o público, que chamaremos aqui de mecanismos de produção do texto publicitário. São eles:
Afirmação:
As propagandas normalmente fazem afirmações sobre o produto ou sobre o que o produto é capaz de fazer na vida da pessoa que o utilizar, prometendo coisas que muitas vezes extrapolam o limite do razoável até.
Repetição:
A ideia de repetir pode ter diversas finalidades, com o destaque principalmente para a fixação da imagem do produto na memória do público.
Repare que o texto publicitário está dando ordem para que o público, pessoas que sejam potenciais consumidoras, assuma uma determinada postura, comportem-se de uma certa maneira sugerida no texto.
O tom imperativo é visto no uso de verbos que dão ordem, como ocorre em "se liga" e "tome atitude" em que "liga" é "tome" são palavras da categoria dos verbos e que estão no modo imperativo.
Verbo no modo imperativo:
Repare que o texto publicitário está dando ordem para que o público, pessoas que sejam potenciais consumidoras, assuma uma determinada postura, comportem-se de uma certa maneira sugerida no texto.
O tom imperativo é visto no uso de verbos que dão ordem, como ocorre em "se liga" e "tome atitude" em que "liga" é "tome" são palavras da categoria dos verbos e que estão no modo imperativo.
Invenção da liberdade:
Invenção da liberdade confunde-se com invenção da realidade. São campanhas que costumam explorar imagens bucólicas, inserindo o produto na paisagem natural, como no caso do produto anunciado acima.
Um dos slogan da empresa de telefonia TIM “Tim, viver sem fronteiras” é um exemplo de invenção de liberdade e de invenção da realidade.
Uso de estereótipos:
Os estereótipos, por sua vez, tendem a criar no público uma aparência de causa e efeito. No centro da mesa, o produto é colocado como o propulsor (causa) do estado de espírito (efeito) dos sujeitos que aparecem na propaganda. O texto visual acima simula uma self, como se com isso desse o recado de que a felicidade estaria sendo mediada pelo produto anunciado. A propaganda trabalha também outro estereótipo, o da família, na associação com o estado de espírito alegre das figuras, reforçando a ideia de que o produto é próprio para ambientes alegres.
Criação de inimigos:
O discurso publicitário pode ressaltar a existência de algum agente prejudicial que precisa ser combatido exclusivamente pelo produto que a campanha publicitária oferece. O inimigo pode ser algo real e natural, como uma dor de cabeça, uma cárie, uma provável corrosão no motor do carro. Mas pode também ser elaborado socialmente, como no caso do pavor que as mulheres nutrem em relação às medidas a mais, em contraposição aos ideais de beleza. Por essa razão os emagrecedores são vendidos como verdadeiros combatentes de um inimigo perigoso: a gordura.
Recorrência ao erotismo:
Algumas propagandas ligam o produto à esfera da sexualidade, o que configura apelo ou recorrência ao erotismo. A ideia é potencializar a venda dos produtos no que ele pode traduzir em vantagens para o consumidor em relação ao objeto de desejo de homens ou mulheres. Explora-se o corpo feminino ou o corpo masculino no que ele pode induzir o público a comprar o produto.
As propagandas que exploram o erotismo podem aparecer em diferentes meios de produção, principalmente nas peças publicitárias de TV, como esta que segue abaixo:
Apelo à autoridade:
Nas peças publicitárias, é muito comum a presença de profissionais que possuem uma relação de autoridade com o produto anunciado. É o caso, por exemplo, das campanhas de produtos ligados à higiene bucal, as quais costumam trazer a imagem de dentistas recomendando esta ou aquela marca de creme dental, escova ou enxaguante.
O mesmo pode ser dito de uma diarista que apresenta um produto de limpeza, ou um mecânico a apresentar uma peça de carro, um motor ou um tipo de óleo lubrificante. Mas é importante salientar que o apelo à autoridade nem sempre será um verdadeiro “apelo à autoridade”. Certos casos podem não ir além de uma mera projeção de cena usando atores no lugar de autoridades.
Apelo à celebridade:
O apelo à celebridade talvez seja a estratégia mais comum e muito provavelmente a que mais garanta o sucesso do produto anunciado, já que famosos de diversos segmentos, por mais que representem um alto custo para as campanhas publicitárias, continuam sendo requisitados para divulgar mercadorias que vão de uma simples sandália à mais cara mercadoria.
Personificação:
Na linha das figuras de linguagem, a personificação (ou prosopopeia) é um recurso muito comum na publicidade e acontece para atender a diferentes propósitos, às vezes para dar um tom mais alegre, mais animado, mais bem humorado ao texto. Lembre-se de que personificação é a atribuição de características humanas para seres inanimados, como ocorre na propaganda acima.
Metonímia:
A metonímia é uma outra figura de linguagem e a que mais aparece nos textos publicitários, pois as propagandas ao invés de fazerem referência aos produtos anunciados, fazem referencia às marcas destes produtos, como aparece na propaganda da esponja de aço acima anunciada. Neste caso, trata-se da metonímia que coloca a marca no lugar do produto. O mesmo acontece quando uusamos a palavra Q-boa para fazer referência ao produto água sanitária.
Hipérbole:
A hipérbole, ou exagero, é outra figura de linguagem muito recorrente nas propagandas. Geralmente os textos publicitários exploram dados improváveis ou de difícil verificação no qual aparecem números que são utilizados como índices de satisfação para causar a sensação de que o produto é realmente bom, eficaz e agrada os consumidores.
Geração de expectativas:
As propagandas que se servem deste recurso geralmente anunciam vantagens para o consumidor, que pode ir desde o exemplo da campanha do McDonalds acima, até a promessa de que ao adquirir um produto, alguma coisa de positivo irá acontecer na vida da pessoa. Coisas como "compre tal coisa e mude de vida", "use tal produto e conquiste seu objetivo", "faça tal curso e conquiste seu emprego", podem ser exemplos de geração de expectativa.
Os dois vídeos a seguir são de uma mesma campanha feita para o desodorante Axe e foram construídas fazendo uso de vários mecanismos de produção da propaganda, mas um dos destaques bem evidente é justamente a geração de expectativa:
PARA FAZER EM SEU CADERNO:
1) Comente sobre o que é uma propaganda comercial, para que serve e quais suas vantagens e desvantagens:
2) O que é uma propaganda institucional? Dê exemplo de algumas campanhas publicitárias institucionais:
3) Assista ao vídeo publicitário a seguir para produzir respostas para as questões que virão a seguir:
Questões:
a) qual é o produto que está sendo anunciado?
b) dos mecanismos apresentados acima, quais você percebe que estariam sendo explorado na propaganda em questão? Justifique suas afirmações.
c) você verificou se a propaganda do vídeo em questão fere algum tipo de valor que justificaria uma possível proibição de sua circulação? Em caso de resposta afirmativa, que tipo de ataque a propaganda estaria fazendo?




















