segunda-feira, 25 de maio de 2020

PROPAGANDA, PUBLICIDADE E ANÚNCIO PUBLICITÁRIO

Nesta publicação, dedicaremos ao estudo dos gêneros propaganda, publicidade e anúncio publicitário que, embora possuam alguns aspectos bem sutis estabelecendo a diferença entre eles, são vistos em muitos estudos como uma mesma coisa. 

As propagandas são produzidas com a finalidade de convencer as pessoas, ou a comprar um produto, ou a adotar um determinado comportamento. Daí sua natureza apelativa.
Trata-se de textos que podem ser verbal oral, verbal escrito, ou verbo-visual que circulam em diferentes suportes, por rádio, TV, sites de internet, jornais, revistas, outdoors, cartazes e assim por diante.

PROPAGANDAS COMERCIAIS E PROPAGANDAS INSTITUCIONAIS




Há duas espécies básicas de propagandas: as comerciais e as institucionais. As propagandas comerciais são aquelas que têm como finalidade vender produtos.
Já as propagandas institucionais são produzidas para convencer as pessoas a adotar determinados procedimentos em nome do bem comum, ou seja, em razão da coletividade.
Um claro exemplo de propaganda institucional são as recorrentes campanhas que chegam ao público sensibilizando a população para que adote o protocolo do distanciamento social, entre os quais está o uso de máscara.

PROPAGANDAS QUE PROVOCAM A NECESSIDADE VERSUS PROPAGANDAS QUE FIXAM A MEMÓRIA

Algumas propagandas são produzidas para provocar a necessidade nas pessoas, outras para fortalecer a memória de um produto ou de uma terminada marca ou empresa.
As propagandas que geram necessidade são aquelas cujo discurso trabalha a emoção do público ao qual se dirige. Essas propagandas, geralmente por meio de uma linguagem imperativa, persuasiva e servindo-se de técnicas retóricas bastante específicas para tocar as paixões do indivíduo, são responsáveis para movimentar a venda de mercadorias.
Vamos criar aqui um exemplo hipotético de propaganda que gera necessidade:
Imagine uma pessoa que comprou um celular há dois anos, ou um carro. Sabemos que o aparelho celular tem vida útil para cinco, dez, quinze ou vinte anos, a depender do zelo de seu proprietário. O carro, então, pode durar décadas.
Mas, no cenário de produtos que são lançados todos os dias pelas grandes corporações, as empresas necessitam vender o que elas produzem e, para fazerem a mercadoria girar, são criadas campanhas que estimulam a relação de desapego e desafeição entre você e aquilo que você possui. O resultado disso é a impressão de que precisamos nos livrar daquilo que a gente possui imediatamente, para colocar no lugar o produto anunciado na propaganda.
O resultado disso são muitas pessoas trocando de carro e de aparelho celular sem uma necessidade concreta. A justificativa disso é o fato de as pessoas terem perdido o interesse por aquilo que elas adquiriram por influência das campanhas publicitárias.
As propagandas que geram memória são aquelas que não oferecem o produto de forma objetiva para satisfação imediata do público, mas desejam que você se lembre de uma determinada marca ou produto, assim que sentir necessidade do produto.


Essa é, por exemplo, a filosofia das campanhas da Nike, que costuma deixar sua logomarca nos contornos dos campos de futebol, muitas vezes sem nem mesmo utilizar o nome da empresa. A ideia desse tipo de propaganda é que você, quando pensar em comprar tênis ou qualquer outro produto do ramo de atuação da empresa, lembre-se de que a Nike é uma alternativa.
A Coca-Cola é também outra empresa que trabalha nessa mesma direção, com propagandas que fortalecem a imagem da empresa.
O QUE HÁ DE POSITIVO E DE NEGATIVO NAS PROPAGANDAS:
Há aspectos positivos e aspectos negativos em relação às propagandas, os quais é conveniente destacar.
Podemos citar como aspectos positivos da propaganda a movimentação do mercado e o emprego da mão de obra que vai desde a produção de matérias primas para as indústrias, passando pelas indústrias de manufaturas e terminando no comércio. Deste modo, as propagandas, ao induzirem as pessoas a comprar produtos estão construindo demandas pelas mercadorias e, por sua vez, são essas demandas que vão assegurar o emprego nos diferentes postos de trabalho.
Mas há também aspectos negativos. As propagandas, por exemplo, podem induzir as pessoas a um consumo desenfreado e irracional, o que pode acarretar principalmente ao desequilíbrio ambiental para o ecossistema, dado o acúmulo de lixo produzido desnecessariamente com o descarte irracional de material. É  o caso que envolve principalmente o lixo tecnológico de celulares e computadores, entre outros.
PROPAGANDAS E O DIREITO:
As propagandas, muitas vezes no esforço de produzirem maior efeito na sua relação com o público, podem ferir os direitos das pessoas, tanto na individualidade quanto na coletividade, provocar comportamentos  que sejam reprováveis e ferir a cidadania, serem a expressão de preconceitos e discriminação, além também de induzirem ao erro. É o caso das campanhas deste vídeo que circulou décadas atrás em que a imagem do idoso é depreciada e causou muito incômodo à época de sua  circulação.


Por razões dessa natureza é que as propagandas passam por vigilância constante e muitas vezes encontram-se no centro de alguma polêmica. 
O caso mais recente foi o que envolveu o sertanejo Gustavo Lima, por ocasião de uma live neste período de distanciamento social estabelecido pelos órgãos de saúde do país e do mundo, em que o cantor aparece fazendo o consumo de bebida alcoólica para promover o produto de uma grande empresa que estava entre as patrocinadoras do show do artista.
O fato de algumas propagandas reforçarem comportamentos negativos, por muitas vezes ferindo o direito e a honra de pessoas ou grupos, por induzir pessoas ao erro, leva a sociedade organizada a entrar com mmedida legal junto ao poder judiciário, solicitando que esta ou aquela campanha saia de circulação no rádio, na TV, jornais, revistas, outdoors etc.
Inserimos abaixo um vídeo de algumas propagandas que foram tiradas de circulação, mas você pode encontrar várias referências nos canais de YouTube de campanhas publicitárias que sofreram algum tipo de sanção punitiva e foram proibidas de circular.


O QUE PODEMOS ENCONTRAR NUMA PROPAGANDA:
As propagandas em geral são produzidas utilizando alguns recursos para convencer o público, que chamaremos aqui de mecanismos de produção do texto publicitário. São eles:

Afirmação:




As propagandas normalmente fazem afirmações sobre o produto ou sobre o que o produto é capaz de fazer na vida da pessoa que o utilizar, prometendo coisas que muitas vezes extrapolam o limite do razoável até.


Repetição:


A ideia de repetir pode ter diversas finalidades, com o destaque principalmente para a fixação da imagem do produto na memória do público.

Verbo no modo imperativo:



Repare que o texto publicitário está dando ordem para que o público, pessoas que sejam potenciais consumidoras, assuma uma determinada postura, comportem-se de uma certa maneira sugerida no texto. 

O tom imperativo é visto no uso de verbos que dão ordem, como ocorre em "se liga" e "tome atitude" em que "liga" é "tome" são palavras da categoria dos verbos e que estão no modo imperativo.

Invenção da liberdade:

 



Invenção da liberdade confunde-se com invenção da realidade. São campanhas que costumam explorar imagens bucólicas, inserindo o produto na paisagem natural, como no caso do produto anunciado acima. 

Um dos slogan da empresa de telefonia TIM “Tim, viver sem fronteiras” é um exemplo de invenção de liberdade e de invenção da realidade. 

Uso de estereótipos:




Os estereótipos, por sua vez, tendem a criar no público uma aparência de causa e efeito. No centro da mesa, o produto é colocado como o propulsor (causa) do estado de espírito (efeito) dos sujeitos  que aparecem na propaganda. O texto visual acima simula uma self, como se com isso desse o recado de que a felicidade estaria sendo mediada pelo produto anunciado. A propaganda trabalha também outro estereótipo, o da família, na associação com o estado de espírito alegre das figuras, reforçando a ideia de que o produto é próprio para ambientes alegres.


Criação de inimigos:


O discurso publicitário pode ressaltar a existência de algum agente prejudicial que precisa ser combatido exclusivamente pelo produto que a campanha publicitária oferece. O inimigo pode ser algo real e natural, como uma dor de cabeça, uma cárie, uma provável corrosão no motor do carro. Mas pode também ser elaborado socialmente, como no caso do pavor que as mulheres nutrem em relação às medidas a mais, em contraposição aos ideais de beleza. Por essa razão os emagrecedores são vendidos como verdadeiros combatentes de um inimigo perigoso: a gordura. 


Recorrência ao erotismo:


Algumas propagandas ligam o produto à esfera da sexualidade, o que configura apelo ou recorrência ao erotismo. A ideia é potencializar a venda dos produtos no que ele pode traduzir em vantagens para o consumidor em relação ao objeto de desejo de homens ou mulheres. Explora-se o corpo feminino ou o corpo masculino no que ele pode induzir o público a comprar o produto. 
As propagandas que exploram o erotismo podem aparecer em diferentes meios de produção, principalmente nas peças publicitárias de TV, como esta que segue abaixo:



Apelo à autoridade:


Nas peças publicitárias, é muito comum a presença de profissionais que possuem uma relação de autoridade com o produto anunciado. É o caso, por exemplo, das campanhas de produtos ligados à higiene bucal, as quais costumam trazer a imagem de dentistas recomendando esta ou aquela marca de creme dental, escova ou enxaguante. 

O mesmo pode ser dito de uma diarista que apresenta um produto de limpeza, ou um mecânico a apresentar uma peça de carro, um motor ou um tipo de óleo lubrificante. Mas é importante salientar que o apelo à autoridade nem sempre será um verdadeiro “apelo à autoridade”. Certos casos podem não ir além de uma mera projeção de cena usando atores no lugar de autoridades. 


Apelo à celebridade:


O apelo à celebridade talvez seja a estratégia mais comum e muito provavelmente a que mais garanta o sucesso do produto anunciado, já que famosos de diversos segmentos, por mais que representem um alto custo para as campanhas publicitárias, continuam sendo requisitados para divulgar mercadorias que vão de uma simples sandália à mais cara mercadoria. 

Personificação:




Na linha das figuras de linguagem, a personificação (ou prosopopeia) é um recurso muito comum na publicidade e acontece para atender a diferentes propósitos, às vezes para dar um tom mais alegre, mais animado, mais bem humorado ao texto. Lembre-se de que personificação é a atribuição de características humanas para seres inanimados, como ocorre na propaganda acima.


Metonímia:



A metonímia é uma outra figura de linguagem e a que mais aparece nos textos publicitários, pois as propagandas ao invés de fazerem referência aos produtos anunciados, fazem referencia às marcas destes produtos, como aparece na propaganda da esponja de aço acima anunciada. Neste caso, trata-se da metonímia que coloca a marca no lugar do produto. O mesmo acontece quando uusamos a palavra Q-boa para fazer referência ao produto água sanitária.


Hipérbole:

A hipérbole, ou exagero, é outra figura de linguagem muito recorrente nas propagandas. Geralmente os textos publicitários exploram dados improváveis ou de difícil verificação no qual aparecem números que são utilizados  como índices de satisfação para causar a sensação de que o produto é realmente bom, eficaz e agrada os consumidores.


Geração de expectativas:





As propagandas que se servem deste recurso geralmente anunciam vantagens para o consumidor, que pode ir desde o exemplo da campanha do McDonalds acima, até a promessa de que ao adquirir um produto, alguma coisa de positivo irá acontecer na vida da pessoa. Coisas como "compre tal coisa e mude de vida", "use tal produto e conquiste seu objetivo", "faça tal curso e conquiste seu emprego", podem ser exemplos de geração de expectativa.

Os dois vídeos a seguir são de uma mesma campanha feita para o desodorante Axe e foram construídas fazendo uso de vários mecanismos de produção da propaganda, mas um dos destaques bem evidente é justamente a geração de expectativa:






PARA FAZER EM SEU CADERNO:



1) Comente sobre o que é uma propaganda comercial, para que serve e quais suas vantagens e desvantagens:





2) O que é uma propaganda institucional? Dê exemplo de algumas campanhas publicitárias institucionais:





3) Assista ao vídeo publicitário a seguir para produzir respostas para as questões que virão a seguir:







Questões: 

a) qual é o produto que está sendo anunciado?



b) dos mecanismos apresentados acima, quais você percebe que estariam sendo explorado na propaganda em questão? Justifique suas afirmações.




c) você verificou se a propaganda do vídeo em questão fere algum tipo de valor que justificaria uma possível proibição de sua circulação? Em caso de resposta afirmativa, que tipo de ataque a propaganda estaria fazendo?









segunda-feira, 18 de maio de 2020

ARTIGO DE OPINIÃO: CONHECENDO O GÊNERO

O tópico deste estudo é sobre o gênero artigo de opinião, sobre suas características composicionais, sobre como funciona e circula nos meios sociais. Afinal, o que é, quem produz, onde circula e para que serve o gênero artigo de opinião? Essas perguntas serão respondidas ao longo deste capítulo de estudo que inclui conceitos e atividades. Antes, porém, leia o texto do gênero que segue abaixo: 

O grande sertão da misoginia

Até ontem, eu não sabia da existência da dupla sertaneja Max e Mariano. Ninguém sabia, na verdade. Os dois saltaram de Goiás para a infâmia nacional na semana passada, com o clipe de uma música chamada "Eu vou jogar na internet". A letra da música explica a confusão em que se meteram: Mas eu me distanciei do caso dos sertanejos misóginos.
"Semana passada mesmo a gente ficou. E, sem que você percebesse, eu gravei de nós dois um vídeo de amor. Eu vou jogar na Internet, nem que você me processe. Eu quero ver a sua cara quando alguém te mostrai; quero ver você dizer que não me conhece".
A tempestade que caiu sobre a cabeça enchapelada dos apologistas do crime nos dá alguma esperança no Brasil, mas é pequena. Embora eles tenham sido massacrados nas redes sociais e lembrados até no Congresso — onde o senador Romário defende a criação de uma lei específica contra a exposição da intimidade alheia na internet — eu não tenho dúvida que no grande sertão da misoginia onde esses caras brotaram há muito mais gente que pensa como eles, homens e mulheres capazes de cometer de alma leve o crime que eles celebram e incentivam com a sua música ruim.
Quando se trata de respeito e consideração pelas mulheres, o Brasil é uma catedral do atraso. Algumas leis são bacanas, mas os costumes são medonhos.
Outro dia, uma moça que eu conheço quase foi agredida numa balada por se recusar a conversar com um sujeito que achara ela bonita. O cara a agarrou pelo braço e teve de ser afastado por outros homens, depois de enfrentar as amigas dela que tentavam expulsá-lo. Isso é um exemplo de conduta criminosa tristemente comum.
Depois de duas latas de cerveja, jovens da melhor classe média brasileira sentem que podem se impor fisicamente às mulheres que desejam. Passam a mão, puxam o cabelo, agarram. Alguns insultam e dão porrada quando recusados. Como esse tipo de comportamento não brota do nada, deve haver gente ao redor deles dando exemplo - ou sendo leniente com seus meninos.
Por isso eu acho a cultura brasileira misógina: o comportamento escroto em relação às mulheres é socialmente tolerado em todas as classes sociais e geografias, embora em toda parte seja coisa de minoria.
No caso da moça que eu conheço, havia por perto homens dispostos a correr o risco de enfrentar o marginal e defendê-la. Nem sempre esse tipo de cavalheirismo e de coragem estão disponíveis. Os canalhas frequentemente saem impunes de agressões públicas contra as mulheres, quando deveriam ser retirados sob escolta do local, levados à delegacia e indiciados como agressores sexuais.
Agarrar uma mulher estranha pelo braço e tentar forçá-la ao que quer que seja - "Me dá um beijo, senão eu não te largo!" - é uma forma de agressão sexual. Comprovada na justiça, ela deveria ficar na ficha policial do jovem musculoso para que seus futuros empregadores saibam como ele pode ser obstinado.
Ele me faz lembrar outra história macabra que ouvi outro dia: uma estudante paulistana vem sendo assediada há meses na internet, sem que a polícia ou a justiça, informadas, se movam para defendê-la. Alguém roubou fotos dela no Facebook, misturou com filmes pornôs variados de moças que vagamente se parecem com ela, e, com esse material apócrifo, criou um site — cujo link passou a distribuir entre os amigos dela no Facebook, acompanhado de comentários picantes.
Ao dar queixa na delegacia do bairro, a estudante foi tratada com curiosidade divertida e libidinosa por um bando de policiais — 'Mas você se deixou filmar nua, não foi?". Ela tampouco conseguiu ajuda da Delegacia da Mulher, que não cuida desse tipo de crime, segundo lhe disseram. Na delegacia de crimes digitais, soube que só atendem fraudes financeiras. Foi acolhida no Ministério Público, mas ainda assim a ação não anda. Sem autorização de um juiz, não se inicia a investigação oficial que obrigada o Facebook a identificar o computador de onde partem as agressões. Um advogado poderia apressar o caso, mas custaria sete mil reais, que ela não tem. Enquanto isso, o criminoso ou criminosa manda mensagens periódicas se gabando de tê-la nas mãos, à mercê dos seus impulsos patológicos.
Que tipo de sociedade produz esse tipo de gente? Que tipo de instituições permitem que continuem agindo impunemente por tanto tempo?
A resposta é simples: a mesma sociedade em que uma dupla sertaneja grava uma música incentivando o pornô de vingança. A mesma em que moleques mimados agridem as garotas impunemente. A mesma em que o machismo prolifera, insidioso, na forma de um profundo e ostensivo desrespeito pelos direitos mais elementares das mulheres: andar na rua sem ser incomodada, estar sozinha em público sem ser abordada, dançar com as amigas sem ser agarrada, dizer não sem ser agredida ou morta. Falamos do Brasil, naturalmente.
__________
IVAN MARTINS - ÉPOCA - Disponível em http://epoca.globo.cornicolunas-e-blogslvan-marlins:noticia,2015 04 o-grande-sertao-da-raisoginia.html

COMO AVALIAR OS TEXTOS DO GÊNERO:

O artigo de opinião, como o próprio nome sugere, é um gênero que "sujeitos "comuns" produzem e fazem circular nos meios sociais impressos, principalmente em jornais e revistas, e também em meios audiovisuais nos programas jornalísticos de rádio e TV.
As aspas servem para mostrar que nem todos os sujeitos têm condições de colocar em circulação suas ideias e opiniões, o que significa dizer que os veículos que promovem a circulação de ideias e opiniões são seletivos e priorizam pessoas que, por alguma razão política, econômica e cultural, "mereçam" ter suas ideias e opiniões divulgadas.
Os artigos de opinião precisam ser avaliados verificando-se os seguintes dados:
NÍVEL DE LINGUAGEM: linguagem padrão ou linguagem não padrão.
Sabemos que o nível de linguagem comum na produção dos artigos de opinião é a norma padrão, ou linguagem formal. Só que os autores podem também se servir de expressões próprias do nível de linguagem não padrão, tais como dialeto, expressões regionalistas, gírias, entre outras expressões que chamamos de marcas de oralidade. Além disso, os autores podem romper com as regras da gramática, de maneira consciente ou inconscientemente.
Veja o exemplo:
"Outro dia, uma moça que eu conheço quase foi agredida numa balada por se recusar a conversar com um sujeito que achara ela bonita."
Embora o artigo de opinião acima tenha sido produzido em linguagem padrão predominantemente, em algumas partes ele apresenta nível de linguagem não padrão. É o caso do trecho que transcrevemos nas partes que estão sublinhadas. A palavra 'balada" é uma gíria, portanto, marca de oralidade.
No caso do segundo trecho sublinhado, a palavra "ela" é pronome pessoal do caso reto e, conforme estudamos em postagens anteriores* de acordo com a norma gramatical, não é correto empregar pronome do caso reto como complemento verbal. "Achara" é verbo no tempo pretérito mais que perfeito, de maneira que o uso de "ela” em "achara ela" seria algo incorreto.
* (ver em: http://gedeontampos.blogspolcom/2020/04/artigos-definidos-ou-pronomes-obliquos.html)
PLANOS DE COMUNICAÇÃO: linguagem literal ou linguagem figurada.
O plano de comunicação predominante nos artigos de opinião é o plano literal, ou sentido denotativo. Todavia, na elaboração dos textos os autores podem utilizar também expressões figuradas, ou seja, o sentido conotativo. Lembrando mais uma vez que isso pode acontecer de modo consciente ou de forma inconsciente por parte do autor.
Veja o exemplo:
“Os dois saltaram de Goiás para a infâmia nacional na semana passada, com o clipe de uma música chamada 'Eu vou jogar na internet'.”
Ao longo do texto, aparecem várias expressões figuradas e o trecho transcrito acima é um exemplo, pois é resultado de mais de uma figura de linguagem, com destaque para a hipérbole pelo exagero caracterizado na expressão "saltaram de Goiás".
MARCAS DE PRECONCEITO OU DISCRIMINAÇÃO: além de debater valores os textos são a expressão de juízos sobre determinados temas, quase sempre polêmicos.
Ocorre que, na exposição de suas ideias e opiniões, os autores podem manifestar preconceitos de forma consciente, pela vontade particular de cada sujeito, ou de maneira acidental, por influência de sua cultura, por erros de avaliação entre outras razões.

Veja o exemplo:
"A tempestade que caiu sobre a cabeça enchapelada dos apologistas do crime nos dá alguma esperança no Brasil, mas é pequena."
Repare que no trecho o comportamento que é reprovado pelo autor vincula pessoas a chapéus, uma avaliação superficial que o autor faz das pessoas pelo que elas utilizam como parte de sua vestimenta.
E os sinais de preconceito aparecem em diversas passagens do texto e, inclusive, no próprio título do referido artigo, ao vincular misoginia ao espaço, ou seja, ao sertão, considerando que o comportamento misógino é algo natural nessa região do país.

☺MERGULHANDO NO CONHECIMENTO  

CONCEITO
O ARTIGO DE OPINIÃO é um gênero da esfera jornalística que se caracteriza por defender um ponto de vista sobre um tema atual e polêmico. O autor procura convencer o leitor sobre suas ideias, utilizando dados, fatos e argumentos que contribuem para reforçar suas opiniões. O texto deve ser adequado à norma padrão e as ideias devem ser expostas com clareza e coerência. Traz a assinatura do autor e é veiculado principalmente em jornais, revistas e na internet. Às vezes, é publicado também em livros, por exemplo, quando é feita uma seleção dos melhores textos de um jornalista conceituado.
O artigo de opinião é um tipo de texto dissertativo-argumentativo em que o autor apresenta seu ponto de vista sobre determinado tema. A argumentação é o principal recurso retórico utilizado nos textos de opinião, que têm como principal característica informar e persuadir o leitor sobre um assunto.
Geralmente, os artigos de opinião são veiculados nos meios de comunicação de massa (televisão, rádio, jornais ou revistas) e abordam temas da atualidade.

CARACTERÍSTICAS DO ARTIGO DE OPINIÃO

• Textos escritos em primeira e terceira pessoa
• Uso da argumentação e persuasão
• Geralmente são assinados pelo autor
 • Produções veiculadas nos meios de comunicação
• Possuem uma linguagem simples, objetiva e subjetiva
• Escolha de temas da atualidade
• Possuem títulos polêmicos e provocativos
• Contém verbos no presente e no imperativo
• Nível de linguagem: predominância da norma padrão ou linguagem formal

SOBRE A CONSTRUÇÃO DO VERBO NO MODO IMPERATIVO

No modo imperativo a pessoa falante leva o seu interlocutor a realizar uma ação, expressando o que quer que ele faça. Assim, a ação transmitida por um verbo no imperativo é um pedido, convite, exortação, ordem, comando, conselho ou súplica.
O modo imperativo se divide em imperativo afirmativo e imperativo negativo, sendo conjugados de forma diferente. Em ambos, não existe flexão na 1ª pessoa do singular (eu).
Seguem alguns exemplos de uso do modo imperativo
• Pare com essa brincadeira.
• Jogue o lixo fora, por favor.
• Resolva esse problema rápido.
• Vá fazer o dever de casa.
• Saia da frente dessa televisão!

ESTRUTURA DO ARTIGO DE OPINIÃO

Geralmente, os artigos de opinião seguem o mesmo padrão da estrutura dos textos dissertativos-argumentativos:
INTRODUÇÃO: (exposição): apresentação do tema que será discorrido durante o artigo. Lembrando que tema e titulo são duas coisas diferentes. O primeiro é o assunto, e o segundo é o nome que será dado ao texto.
DESENVOLVIMENTO: (interpretação): momento em que a opinião e a argumentação são os principais recursos utilizados.
CONCLUSÃO: (opinião): finalização do artigo com apresentação de ideias para solucionar os problemas sobre o tema proposto.

PESQUISA, SELEÇÃO DO MATERIAL E CURADORIA

Conhecida a estrutura do texto, é hora de buscar argumentos. A pesquisa e a busca de argumentos sobre o tema são fatores importantíssimos na construção de um bom texto. Sendo o artigo um texto opinativo, é preciso sustentar um ponto de vista com base em argumentos confiáveis. Por isso, a pesquisa profunda e atualizada do tema, seja em livros, sites, on-line ou impressa, é tão importante, bem como o armazenamento das informações coletadas. Anote tudo o que julgar interessante e, por meio das informações coletadas e dos conhecimentos adquiridos, forme a sua própria opinião sobre o assunto, para que possa construir o seu próprio texto.
Você deve analisar as informações coletadas sobre um mesmo fato, comparando-as com as que estão divulgadas em diferentes veículos e mídias, avaliando a sua confiabilidade, assim estará apurando essas informações e desenvolvendo procedimentos de curadoria. O processo de curadoria sobre as informações pesquisadas é imprescindível, em uma época repleta de fake news.
Responsabilidade e ética ao escrever o seu próprio texto É muito importante também, ao escrever o seu próprio texto, respeitar a opinião do outro, ainda que você não concorde com ela. O conhecimento amplo sobre o assunto e opiniões diversas, servem para que você possa, ao desenvolver o seu texto, formar a sua própria opinião sobre o assunto, de forma ética e respeitável.
Lembre-se, você é responsável por tudo aquilo que você escreve ou posta. É relevante lembrar que não se deve retirar ideias, conceitos ou frases já publicadas, pertencentes a outro autor, sem lhe dar o devido crédito, sem citá-lo como fonte de pesquisa. Se isto ocorrer, o seu texto pode-se configurar em plágio.

DICAS PARA A PRODUÇÃO DO SEU PRÓPRIO TEXTO

Para a escrita de um texto, é importante também estar familiarizado com a sua estrutura, e com o artigo de opinião, não é diferente. Portanto, leia diversos artigos em sites, jornais e/ou revistas (impressos ou não). Analise, por exemplo, os títulos, as introduções, os desenvolvimentos (argumentos, opiniões) desses textos e as finalizações. Se necessário, faça notas sobre algumas coisas que irão te ajudar na produção desse tipo de texto. A coesão e a coerência (assunto que será tratado em outras portagens) também são mecanismos fundamentais para que você possa construir um texto de qualidade.
Para ampliar seus conhecimentos leia os textos a seguir:
TEXTO 1

PAIS DEVEM ESTABELECER LIMITES

São os pais que devem buscar estabelecer limites no uso de lan house e internet. "Às vezes o adolescente está com dificuldades de ter autonomia para estabelecer seus próprios limites. Então, nessa hora, precisa de alguém para fazer isso", afirma o psicanalista Ailton Bastos, de Londrina.
Em situações específicas, como o adolescente que está com baixo rendimento escolar por conta da quantidade de horas que passa na lan house, vale limitar as horas até que as notas melhorem. "Mas, com adolescente, você tem que deixar muitas vezes uma válvula de escape, pois quanto mais intensa a exigência, mais chances de não dar certo. Ele precisa de parâmetros, mas com um certo nível de liberdade", diz.
Mesmo assim. há situações em que é preciso até proibir as idas à lan house por um período de tempo. "Há certos momentos que não é radical (proibir), há certos momentos que é necessário. Mas isso não pode ser feito no calor da emoção, esse adulto tem que pensar bem antes de estabelecer, para que possa cumprir a palavra dada. E se perceber que a coisa é grave não espere que a própria pessoa decida procurar ajuda", avalia. (C. P.)' (...)
__________
Chiara Papali é repórter da Folha de Londrina. Trecho retirado do jornal Poli-a de Londrina de 08/10/2007.

TEXTO 2

COMBATE À CYBERPEDOFILIA

O crescente aumento da mídia sobre o combate à pedofilia via internet e a recente apresentação do deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) à embaixada americana de um documento que indica o Brasil no topo da lista de cyberpedófilos, fazem refletirmos sobre o assunto. Os dados apresentados nesse estudo são assustadores: mais de mil sites mensais são relacionados a este tipo de crime e 76% dos pedófilos do mundo estão no País. Isso demonstra, cada vez mais, que há uma necessidade iminente em divulgar meios de alertar os responsáveis sobre como impedir que algo do gênero possa acontecer simplesmente por omissão.
Uma das maiores vantagens dos atuais crimes virtuais é o anonimato. Para leigos no assunto é praticamente impossível identificar quem está do outro lado flertando com o seu filho. Isso faz com que a denúncia de casos referentes a este tema também seja muito mais difíceis, muito em razão de não localizar quem o está fazendo.
Algumas dicas e cuidados ao navegar na internet garantem uma diversão segura e mais tranquila. Como primeira medida recomendada é o velho e bom" puxão-de-orelha", ou seja, assumir a responsabilidade com as crianças ou os jovens, que ainda não a conhecem. Outro fator importante é quanto à disposição física do computador, pois uma localização mais pública na casa ajuda, em muito, o controle.
Locais públicos responsáveis por prover acesso às pessoas como, põe exemplo, em escolas ou uma lan house, é essencial que nesses lugares existam regras para o bom uso da internet. Os pais também necessitam estar informados sobre as novas ferramentas de tecnologia que possibilitam auxiliar no controle de acesso à rede. Além dos já conhecidos antivírus, existem diversos outros sistemas que mantêm o controle do que está ocorrendo no computador enquanto estão acessando a web.
Saber por onde andam, com quem falam, os locais frequentados, o que fazem, são as perguntas costumeiras realizadas pelos pais, porém esses mesmos questionamentos devem ser aplicados na "vida digital" dos filhos.
Esses cuidados, com certeza, aumentam a percepção de segurança em relação aos filhos. Infelizmente, a realidade é forte e se não houver cuidados com os filhos, enquanto navegam na internet, alguém acabará vigiando-os via esse meio. A dúvida é saber se as intenções dessa pessoa desconhecida são tão boas quanto as dos pais.
__________
Jean Ubiratan é consultor de Segurança de TI em Porto Alegre. Retirado do jornal Folha de Londrina de 08/10/2007.
TEXTO 3

O ABORTO EM DISCUSSÃO

ÉPOCA conduziu com clareza a questão do aborto. Esse é um problema de cada mulher, não depende da religião ou do Estado. Algumas considerações devem ser feitas. Não é verdade que mulheres que abortam desenvolverão problemas renais, cardíacos, derrames ou ficarão estéreis. A pílula do dia seguinte não provoca a eliminação de embriões fecundados, como se poderia supor.
__________
Jorge Andalaft Neto, ginecologista e obstetra, São Paulo, SP. Texto retirado da revista ÉPOCA de 23104/2007 Disponíveis em: htt.ps://pt-static.z-dn.net/fifes/d05/25b029f59968b5a96725a56a526441.7.. Acesso em: 24. mar. 2020.

PARA FAZER EM SEU CADERNO

1 - Escreva o assunto e a finalidade ou objetivo
a) do texto 1:

b) do texto 2:

c) do texto 3:

2 - Todos os textos que você leu tratam de questões polêmicas? Em qual texto o autor apresenta uma questão polêmica, se utilizando de argumentos e pode ser considerado um artigo de opinião?

3 - Encontrado o texto no qual o autor defende uma opinião, um ponto de vista sobre um tema polêmico, responda:
a) Qual a questão tratada pelo autor?
b) Qual a posição defendida pelo autor, nesse mesmo texto?
c) Cite pelo menos dois argumentos utilizados pelo autor para defender sua posição.
d) No trecho "São os pais que devem buscar estabelecer limites no uso de lan house e internet.", a palavra destacada demonstra que o autor utilizou qual modo verbal? Qual ideia esse modo verbal expressa?

4. No texto 2, o autor dá algumas dicas e cuidados para que o internauta possa navegar na internet com mais segurança, cite pelo urna dessas dicas.

Produção de texto

Leia a coletânea de textos a seguir: TEXTO 1 A Águia Que Quase Virou Galinha Autor: anônimo   Era uma vez um camponês que foi à flores...