Dentro de um texto, uma mesma palavra pode assumir função diferente e também pertencer a classes gramaticais distintas.
É o caso da palavra "a" que, a depender do contexto em que ela esteja inserida, pode ser um artigo, um pronome ou uma preposição.
Repare no exemplo no texto humorístico ao lado ⏩⏩⏩
É o caso da palavra "a" que, a depender do contexto em que ela esteja inserida, pode ser um artigo, um pronome ou uma preposição.
Tópico 1 - Artigo
Repare no exemplo no texto humorístico ao lado ⏩⏩⏩
Note que, nos dois primeiros quadros, a palavra "a" está acompanhando a palavra "Mel". A palavra Mel, por sua vez, pelo fato de dar nome a uma pessoa em específico, é substantivo próprio, porque substantivo próprio é toda palavra que nomeia os seres de maneira especial.
Neste caso, portanto, a palavra "a" em questão é um artigo definido, porque é utilizado no texto para especificar que a palavra "Mel" é um substantivo. Serve também para nos informar que o substantivo "Mel" é uma palavra do gênero feminino e que apresenta uma ideia de número no singular, e não no plural.
É importante frisar este conceito: artigos definidos são palavras que acompanham os substantivos (os nomes, portanto) e os particularizam, dando ideia de gênero, masculino ou feminino, e também de número, singular ou plural.
Tópico 2 - Pronome
Mas a palavra "a" pode ser empregada no texto também com a função de pronome pessoal do caso oblíquo, o que é, aliás, muito comum. Pronomes pessoais do caso oblíquo compreendem um conjunto relativamente amplo de palavras que servem para substituir referências textuais na posição de complementos verbais, principalmente, mas aqui trataremos apenas de alguns, a começar pelo pronome oblíquo representado pela palavra "a".
Veja o exemplo a seguir:
Poeminha filosófico
Gedeon Campos
– O tempo estraga a carne!
Assim vovó que dizia
Punha sal, punha pimenta,
Vinagre, o que mais podia
Pra conter força do tempo
Sobre a matéria ela ia
Mexendo e virando a carne
Dentro da baixela fria
O tempo a incomodava
Causava então agonia
A mão ia temperando
De seu lado eu assistia
Que os gestos modificavam
Seu semblante descaia
E naquela intervenção
Pequeno eu nem sabia
Mas seus gestos demorados
Pode ser que até nem via
Que ao socorrer a carne
Enquanto o peito sofria
Vovó metaforizava
Fazendo filosofia.
No caso do 9º verso que aparece sublinhado acima, a palavra "a" em negrito não desempenha o mesmo papel que os demais "a" presentes no texto. Logo, em "o tempo a incomodava", a palavra em destaque é um pronome pessoal do caso oblíquo e está substituindo "vovó", citada no segundo verso do poema.
Trata-se de um complemento verbal que pode ser explicado do seguinte modo:
- O tempo incomodava vovó. (nome)
- O tempo incomodava ela. (pronome pessoal do caso reto)
- O tempo a incomodava. (pronome pessoal do caso oblíquo)
Importante saber que o pronome pessoal do caso oblíquo será sempre requisitado nas situações em que o uso do pronome pessoal do caso reto não puder aparecer na frase, por questões de regra estabelecida pela norma padrão da língua. Como o pronome pessoal do caso reto não pode aparecer como complemento de verbo, e sendo a palavra "incomodava" um verbo, logo, faz-se necessário substituir esse pronome do caso reto do enunciado 2 por um pronome do caso oblíquo, como aparece em 3.
Tópico 3 - Preposição
O terceiro papel da palavra "a" é o de preposição, neste caso, servindo para estabelecer a conexão entre termos de um enunciado, ou seja, para ligar palavras entre si, promovendo entre elas alguma relação de sentido.
O conjunto é relativamente grande, se contarmos todas as espécies de preposição existentes na língua portuguesa. E a palavra "a" faz parte desse conjunto, como aparece no exemplo abaixo:
Pneumotórax
Manuel Bandeiras
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
– Diga trinta e três.
– Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
– Respire.
– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Nesse último verso do poema de Manuel Bandeiras, na parte sublinhada a palavra "a" aparece duas vezes e, nos dois casos, a função é distinta. No caso de "a única", a palavra "a" é um artigo, servindo para acompanhar e determinar "única" como palavra feminina do singular. Já no segundo caso, em "coisa a fazer" a palavra "a" é uma preposição, que está lingando "coisa" e "fazer". No caso da preposição, você pode identificá-la, fazendo a substituição da palavra "a" pela palavra "para" que não haverá alteração no sentido do texto.
Repare:
"A única coisa para fazer é tocar um tango argentino".
Via de regra, quando isso puder ser feito sem acarretar problemas para o sentido original do texto, é porque, nesses casos, a palavra "a" é uma preposição.


A palavara "a" e uma Preposição ,é uma palavra invariável que liga dois termos entre si, estabelecendo relação de subordinação (Maria Fernanda Melo de Jesus
ResponderExcluir9°ano turma B)
A palavara "a" e uma Preposição ,é uma palavra invariável que liga dois termos entre si, estabelecendo relação de subordinação
ResponderExcluirA palavra "a" e uma proposição, e uma palavra invariável que liga dois termos entre si, estabelecendo relação de subordinação
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